Especialista vê risco jurídico para Lula após desfile rebaixado da Acadêmicos de Niteró
O desfile da Academicos de Niteroi em homenagem ao presidente Luiz Inacio Lula da Silva deixou a Marquês de Sapucaí sob aplausos e críticas, mas desembarcou rapidamente no centro de um debate jurídico que pode ganhar proporções políticas relevantes. Rebaixada no Grupo Especial do Carnaval do Rio, a escola agora é peça central de uma discussão que envolve propaganda eleitoral antecipada, possível abuso de poder e até inelegibilidade. Para o advogado eleitoral Alberto Rollo, após assistir à apresentação completa, houve excessos que ultrapassaram a narrativa histórica e biográfica do presidente. Segundo ele, o enredo incorporou pautas associadas a uma eventual campanha futura, como o debate sobre jornada de trabalho e discursos ligados à soberania nacional. Propaganda antecipada pode gerar multa Na avaliação do especialista, há elementos que caracterizam propaganda eleitoral antes do período permitido por lei. A legislação prevê multa que varia entre 5 mil e 25 mil reais, ou valor equivalente ao custo da divulgação, caso seja superior. Se a Justiça Eleitoral entender que todo o desfile configurou promoção eleitoral, a penalidade pode ser ampliada. O caso deve ser analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral, que tem a palavra final sobre eventual irregularidade. Não é necessária decisão unânime entre os ministros. Embora a Embratur tenha repassado cerca de 1 milhão de reais de forma igualitária às escolas, o que enfraquece a tese de favorecimento financeiro exclusivo, isso não encerra o debate jurídico sobre eventual benefício político indireto. Foto: Divulgação Beneficiário também pode ser responsabilizado Mesmo que não tenha organizado o desfile, Lula pode ser responsabilizado caso fique comprovado que houve propaganda irregular. A legislação eleitoral prevê punição também ao beneficiário do ato, justamente para evitar alegações de desconhecimento. O enredo já estava definido meses antes da apresentação oficial. Para especialistas, em ano pré-eleitoral, o cuidado político deveria ser redobrado, sobretudo quando o homenageado ocupa a Presidência da República. Multa ou inelegibilidade O ponto mais sensível envolve a distinção entre propaganda antecipada e abuso de poder econômico ou político. Enquanto a propaganda irregular costuma resultar em multa, o abuso exige conjunto probatório mais robusto e pode levar a consequências mais severas, como cassação e inelegibilidade por oito anos, conforme a Lei da Ficha Limpa. A avaliação predominante entre juristas é que a hipótese mais concreta, caso haja condenação, seja a aplicação de multa. A tese de inelegibilidade dependeria da comprovação de que houve utilização indevida de estrutura ou recursos com finalidade eleitoral. Bolsonaro pode reagir na Justiça comum Durante o desfile, representações caricatas do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo alegorias que o retratavam como palhaço com tornozeleira, chamaram atenção do público. Do ponto de vista eleitoral, não haveria propaganda negativa, já que ele não é candidato no momento. No entanto, especialistas apontam que Bolsonaro poderia ingressar com ação por danos morais na Justiça comum, caso se sinta pessoalmente ofendido pela representação. O episódio expõe o delicado limite entre manifestação cultural e promoção política em ano eleitoral. O que começou como enredo carnavalesco agora se transforma em teste jurídico para a Justiça Eleitoral, com potencial de ampliar ainda mais a temperatura do cenário político nacional.
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