Setor mineral projeta US$ 76,9 bilhões em investimentos até 2030 e amplia aposta em minerais estratégicos
O setor mineral brasileiro deverá receber US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, consolidando um novo ciclo de expansão da indústria extrativa no país. O montante representa um crescimento de 12,5% em relação à projeção anterior e reforça o papel estratégico da mineração na economia nacional e no comércio exterior. A estimativa aponta um avanço consistente nos aportes voltados tanto à produção tradicional quanto a áreas consideradas sensíveis e estratégicas, em especial projetos socioambientais e minerais críticos ligados à transição energética e ao avanço tecnológico. Minério de ferro mantém liderança O segmento de minério de ferro segue como principal destino dos investimentos, com US$ 19,8 bilhões previstos no período. Mesmo com oscilações de preços no mercado internacional, o minério continua sendo o pilar da mineração brasileira, sustentando grande parte do faturamento, das exportações e da arrecadação do setor. Na sequência, os projetos socioambientais aparecem como o segundo maior foco de aportes, com US$ 14,7 bilhões, registrando um crescimento expressivo e indicando maior pressão por adequação ambiental, licenciamento e responsabilidade social. Logística, cobre e fertilizantes ganham espaço Outros segmentos também apresentam forte expansão nos investimentos planejados. A área de logística deverá receber US$ 11,3 bilhões, enquanto o cobre aparece com US$ 8,6 bilhões, impulsionado pela demanda global ligada à eletrificação e à energia limpa. Fertilizantes somam US$ 6,88 bilhões em investimentos, em um movimento que dialoga diretamente com a segurança alimentar e a redução da dependência externa. Níquel, terras raras, ouro e lítio também aparecem entre os destaques, reforçando a diversificação da carteira mineral brasileira. Minerais críticos avançam no radar global Os investimentos em minerais críticos e estratégicos devem alcançar US$ 21,3 bilhões, consolidando um crescimento relevante frente às projeções anteriores. O avanço reflete o interesse crescente de potências econômicas e blocos internacionais por insumos essenciais para cadeias produtivas ligadas à tecnologia, defesa e energia limpa. Segundo Fernando Azevedo, vice-presidente do setor e presidente interino após o falecimento de Raul Jungmann, o desempenho confirma uma indústria robusta, com forte inserção internacional e papel central no novo tabuleiro geopolítico global. Produção cresce e reforça peso econômico O valor da produção mineral brasileira cresceu 10,3% em 2025, alcançando R$ 298,8 bilhões. O minério de ferro respondeu sozinho por R$ 157,2 bilhões, o equivalente a mais da metade do faturamento total da indústria mineral no ano. Minas Gerais, Pará e Bahia lideraram o ranking de faturamento, consolidando-se como eixos centrais da mineração nacional e polos estratégicos para atração de investimentos. Exportações sustentam superávit comercial O setor mineral exportou cerca de 431 milhões de toneladas em 2025, com receitas próximas de US$ 46 bilhões. O minério de ferro representou quase dois terços do volume exportado, reforçando sua centralidade na balança comercial. As importações minerais permaneceram praticamente estáveis, o que contribuiu para um superávit de US$ 37,6 bilhões no setor, valor que correspondeu a mais da metade do saldo total da balança comercial brasileira no ano. Arrecadação e empregos seguem em alta A arrecadação de tributos e encargos da mineração alcançou R$ 103 bilhões em 2025, com crescimento de cerca de 10%. A Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) respondeu por R$ 7,9 bilhões desse total. No mercado de trabalho, a indústria mineral registrou mais de 229 mil empregos diretos até novembro, com saldo positivo de novas vagas ao longo do ano, confirmando o setor como um dos principais vetores de geração de renda e arrecadação no país.
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