discurso parece defesa das facções

O president Lula da Silva (PT) voltou ao centro de uma polêmica que já vinha se desenhando nos bastidores da segurança pública. Um dia após a Câmara aprovar, por 370 votos a 110, o PL Antifacção relatado pelo deputado e secretário licenciado Guilherme Derrite (PP-SP), Lula criticou duramente o texto, e acabou alimentando a percepção dentro e fora do Congresso de que o Palácio do Planalto trabalha para suavizar o enfrentamento às facções criminosas. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que o projeto, originalmente apresentado por seu governo, foi “descaracterizado” e que a versão aprovada “enfraquece o combate ao crime organizado e gera insegurança jurídica”.Segundo Lula, a Câmara “troca o certo pelo duvidoso”, frase que repercutiu de forma imediata entre opositores e especialistas, que viram no discurso um movimento político perigoso diante da escalada da violência no país. 370 votos para SIM, 110 para NÃO – Foto: Divulgação A reação do presidente ocorre justamente sobre um texto que endurece penas para homicídios cometidos por integrantes de facções e extingue o auxílio-reclusão para familiares de condenados que perderam o emprego formal ao serem presos, medidas amplamente defendidas por setores da segurança pública. Críticas reforçam leitura de que o Planalto quer frear o endurecimento penal Nos bastidores da Câmara, o discurso de Lula foi recebido como uma tentativa explícita de desidratar o projeto. Deputados governistas reconheceram que o Planalto trabalha, desde a madrugada de terça-feira, para reverter no Senado trechos que ampliam o rigor penal e redistribuem recursos da Polícia Federal para forças estaduais. O mais sensível desses pontos, segundo fontes ouvidas pela reportagem do #Acesse Política, é justamente o que prevê a divisão das verbas arrecadadas pela PF em operações, hoje destinadas integralmente ao fundo da corporação. A medida foi um dos alvos centrais de disputa entre governo e oposição, e acabou vista como uma derrota política do Planalto. Derrite impõe derrota ao Planalto A aprovação do relatório de Derrite tem peso simbólico adicional. O secretário paulista, um dos principais rostos da linha dura em segurança pública, apresentou cinco versões do texto até construir apoio suficiente para superar resistências do governo federal, de delegados, auditores e setores empresariais. Ao final, conseguiu aprovar um texto considerado mais rígido que o enviado originalmente pelo Executivo. Reação de Lula gera desgaste Ao declarar que o novo PL “enfraquece o combate ao crime”, Lula não apenas reabriu o confronto com o Congresso, mas também levantou questionamentos sobre a real disposição do governo em enfrentar o crime organizado. Parlamentares da oposição afirmaram reservadamente que o discurso do presidente “passa a impressão de que o governo prefere preservar mecanismos e estruturas que beneficiam facções”, argumento que tende a alimentar uma narrativa eleitoral explosiva. O Planalto, por sua vez, tenta minimizar o estrago afirmando que o objetivo é “evitar insegurança jurídica”. Senado será o campo da próxima disputa A matéria já chegou ao Senado e terá como relator o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), delegado de polícia, crítico contumaz de flexibilizações em temas de segurança. O governo deve pressionar por mudanças, mas, depois da derrota expressiva na Câmara, interlocutores admitem que o ambiente político será mais duro, e que qualquer recuo no texto poderá ser interpretado como tentativa de suavizar o enfrentamento às facções criminosas.
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