Estudo aponta que jejum noturno e jantar mais cedo melhoram saúde cardiovascular e metabólica

Um estudo conduzido pela Northwestern University, nos Estados Unidos, revelou que ajustes simples na rotina noturna podem gerar impactos positivos relevantes na saúde cardiovascular e metabólica, especialmente em adultos de meia-idade e idosos com maior risco de doenças. A pesquisa, publicada na revista Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology, acompanhou 39 participantes com sobrepeso ou obesidade ao longo de sete semanas e meia. Os resultados mostram que prolongar o jejum noturno em cerca de duas horas, além de evitar refeições nas três horas que antecedem o sono, contribui para melhorar indicadores como pressão arterial, glicose e qualidade do sono. Os voluntários foram divididos em dois grupos, um manteve o jejum habitual de 11 a 13 horas, enquanto o outro estendeu esse período para até 16 horas. A adesão ao protocolo foi considerada alta, próxima de 90%, o que, segundo os pesquisadores, demonstra viabilidade prática da estratégia. Entre os principais benefícios observados, participantes que passaram a jantar mais cedo apresentaram redução média de 3,5% na pressão arterial diastólica e queda de 5% na frequência cardíaca. Esses resultados indicam melhor funcionamento do sistema cardiovascular durante a noite e maior eficiência ao longo do dia. Além disso, houve melhora no equilíbrio do sistema nervoso, evidenciada pelo aumento da variabilidade da frequência cardíaca e pela redução dos níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse. No campo metabólico, o estudo identificou níveis mais baixos de glicose e melhor resposta do organismo à insulina durante testes específicos, indicando maior eficiência do pâncreas. Segundo os pesquisadores, o corpo respondeu melhor à ingestão de glicose, mesmo sem alterações significativas na sensibilidade geral à insulina. O endocrinologista Wandyk Allison destacou que evitar refeições próximas ao horário de dormir favorece o funcionamento do organismo. De acordo com ele, quando a alimentação ocorre tarde, o corpo permanece em estado digestivo, prejudicando o sono profundo e elevando riscos como refluxo e inflamação. Já a médica Daniela Grimaldi, coautora do estudo, explicou que o intervalo de três horas antes de dormir foi considerado ideal por equilibrar benefícios fisiológicos e viabilidade na rotina. Ela ressaltou que esse período coincide com o aumento da melatonina, hormônio essencial para o sono, e que a alimentação nesse momento pode interferir no metabolismo. A pesquisa também controlou fatores como a exposição à luz noturna, mantendo ambientes com baixa luminosidade para todos os participantes, garantindo que os efeitos observados fossem atribuídos ao jejum. Apesar dos resultados promissores, os autores apontam que ainda são necessários estudos mais amplos e de longo prazo para confirmar os impactos em populações diversas, incluindo pessoas com diabetes, e avaliar efeitos duradouros na prevenção de doenças cardiovasculares. Especialistas avaliam que a estratégia pode se consolidar como uma alternativa simples e não farmacológica para melhorar a saúde, reforçando a importância da alimentação alinhada ao ritmo biológico do corpo.
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