Crise entre Planalto e Senado aproxima ‘União Progressista’ de apoio a Flávio Bolsonaro

A derrota histórica imposta ao governo com a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) implodiu a relação do Palácio do Planalto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), apontado como o principal responsável pelo revés, e deve ter impacto direto nas projeções de palanques. Entre líderes do governo e da oposição, a percepção é que, a cinco meses das eleições, Alcolumbre se reaproximou segundo Lauriberto Pompeu, do O Globo. do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Ao contribuir para barrar o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), o senador também dificultou, segundo aliados, a tentativa de aproximação do petista com integrantes da cúpula da federação União Brasil-PP. Para dirigentes, essa nova realidade deve empurrar esses partidos a apoiar Flávio, apesar de a neutralidade ainda ser uma opção diante da polarização verificada em pesquisas eleitorais. Desde o dia da votação que rejeitou Messias, Alcolumbre nega ter trabalhado pela derrota do governo e tem sustentado que atua apenas cumprindo as suas funções como presidente do Senado. Parte dos governistas aposta na melhora da popularidade de Lula para demonstrar aos partidos que sua candidatura à reeleição seria um caminho mais seguro do que uma aliança com Flávio. São planejadas, contudo, formas de pressão sobre Alcolumbre, como a desconstrução de sua imagem perante a opinião pública. No fim do ano passado, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), chegou a se reunir com Lula na Granja do Torto, a fim de negociar uma neutralidade nas eleições, conforme noticiou o jornal Folha de S.Paulo. Ele nega o encontro. Neste momento, contudo integrantes da federação veem como mais provável que as legendas estejam na coligação do senador do PL. O que ainda é debatido antes de fechar a posição é qual espaço de influência os partidos teriam em um eventual novo governo da família Bolsonaro. Em 2019, logo após a eleição de Jair Bolsonaro, Flávio apoiou a — na ocasião — surpreendente vitória de Alcolumbre à presidência do Senado. Eleição em minas Se confirmada a aliança com a federação em 2026, Flávio terá direito a mais dinheiro do fundo eleitoral do que Lula, além de mais tempo de propaganda em cadeia de rádio e TV. Outro impacto relevante pode recair sobre a disputa em Minas Gerais, um dos principiais colégios eleitorais do país. Parte dos governistas também enxergam que o ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG), nome que Alcolumbre desejava ter no STF, teve papel relevante na derrota. Eles veem os movimentos dele com desconfiança, inclusive com a possibilidade de não ser mais o candidato de Lula a governador no estado. Alcolumbre e Pacheco viveram nos últimos meses uma relação de idas e vindas com Lula. Além do fato de Pacheco não ter sido indicado para a Corte, outro episódio que aprofundou o desgaste envolve o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, secretário-geral do PSD. Silveira era aliado dos dois, mas rompeu com eles em meio a discordâncias na distribuição de cargos do governo. Aliados de Pacheco chegaram a reclamar recentemente que Silveira continuou no PSD mesmo após o partido ter decidido abraçar a candidatura do atual governador de Minas, Mateus Simões, aliado do ex-governador Romeu Zema (Novo) e rival de Pacheco. Silveira, inclusive, fez elogios públicos a Simões. Há uma crítica de que o governo desejava que Pacheco fosse candidato a governador, mas não havia controle do próprio ministro de Minas e Energia. No reduto de Alcolumbre, o PSD também é adversário e ameaça desalojar seus aliados nas eleições deste ano. O partido filiou neste ano o ex-prefeito de Macapá Doutor Furlan, que é pré-candidato a governador do Amapá e ameaça a reeleição do governador Clécio Luís (União), aliado do presidente do Senado. Alcolumbre, cujo mandato termina apenas em 2030, também corre o risco de conviver com dois adversários como colegas de bancada estadual, já que Lucas Barreto (PSD) e Rayssa Furlan (Podemos) lideram as pesquisas. Em parte do PT, por outro lado, há um sentimento de que não é o momento de romper com o presidente do Senado. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, que já se apresentou para concorrer à reeleição na chapa do grupo de Alcolumbre, diz que a relação dele com o Planalto “continua a mesma, institucional”. Cargos no governo Alcolumbre tem diversos cargos no Executivo. Todas as nomeações envolvendo o União passaram por ele. O presidente do Senado conseguiu firmar um acordo com o União e o PP mesmo quando as duas legendas ensaiaram uma pressão para abandonar a base. Para manter as indicações, a solução encontrada foi que todos os apadrinhados de Alcolumbre tinham que deixar de ser filiados aos partidos. O presidente do Senado participou das escolhas dos comandos dos ministérios da Integração Nacional, Comunicações e Turismo, este último também apadrinhado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O senador tem ainda diretorias e cargos nos Correios, Codevasf, agências reguladoras e Telebras. Sem anúncio público em direção ao rompimento, no governo e na base ainda há cautela sobre o que fazer com esses espaços. Aliados do governo dizem que é preciso que haja uma reação contra Alcolumbre, mas que não seria prudente retirar todos os indicados de imediato, pois isso acirraria ainda mais os ânimos.
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