Crise interna no STF ganha força após Caso Master e afeta relação entre ministros em Brasília
A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos capítulos nos bastidores de Brasília após o avanço das revelações relacionadas ao Caso Master. O ambiente de tensão entre ministros da Corte já ultrapassa os corredores do tribunal e passou a ser percebido também em eventos sociais, cerimônias institucionais e encontros promovidos na capital federal. Apesar da cordialidade pública mantida entre os integrantes do STF, interlocutores da Corte admitem que o clima interno se deteriorou nos últimos meses. A situação ficou ainda mais evidente durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando houve presença reduzida de colegas do Supremo na confraternização organizada após a cerimônia oficial. Segundo relatos de bastidores, ministros conversavam normalmente com integrantes de outros tribunais superiores, mas evitavam interações mais próximas entre si, cenário interpretado por participantes como sinal de desgaste na coesão interna do STF. O foco das divergências gira principalmente em torno do escândalo envolvendo o Banco Master e seus reflexos dentro da Suprema Corte. Entre os principais alvos de críticas reservadas estão o ministro Alexandre de Moraes, citado por colegas devido às conexões indiretas do caso com contratos ligados à advogada Viviane Barci, sua esposa, e o presidente do STF, Edson Fachin, acusado por parte dos ministros de não atuar com firmeza suficiente na defesa institucional da Corte. O caso também atingiu o ministro Dias Toffoli, após revelações envolvendo negócios ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e viagens em aeronaves da empresa do empresário. Nos bastidores, aliados de Toffoli afirmam que o magistrado se sentiu isolado e pouco defendido por colegas que antes integravam seu núcleo de maior proximidade dentro do tribunal. A divisão interna acabou formando dois grupos dentro da Corte. De um lado estariam Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques. Do outro, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. O desgaste também já apareceu publicamente em sessões plenárias. Em março, durante julgamento relacionado à prorrogação da CPI do INSS, houve troca indireta de críticas entre Luiz Fux e Gilmar Mendes. Já em abril, Gilmar criticou publicamente a condução de Fachin sobre a proposta de criação de um código de ética para o STF. Nos bastidores da Corte, ministros avaliam que a atual crise possui uma característica inédita. Diferentemente dos embates ocorridos durante o governo de Jair Bolsonaro e após os atos de 8 de janeiro, quando os integrantes do STF atuavam unidos diante de ameaças externas, agora as divergências são internas e envolvem diretamente a conduta e posicionamentos de colegas da própria Corte. O novo cenário também impactou a presença de ministros em eventos sociais de Brasília. Lançamentos de livros, coquetéis institucionais e encontros promovidos por integrantes do Judiciário passaram a registrar participação mais reduzida dos magistrados do Supremo, movimento interpretado por assessores e observadores políticos como reflexo direto da crise instalada dentro do tribunal.
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