Brasil aciona protocolo de emergência após paciente vindo do Congo ser internado com suspeita de Ebola

O sistema de saúde do estado de São Paulo entrou em nível máximo de atenção epidemiológica neste sábado (30). A Secretaria Estadual de Saúde (SES-SP) confirmou que um homem de 37 anos está internado em isolamento absoluto no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, sob forte suspeita de infecção pelo vírus Ebola. O paciente, que desembarcou recentemente no Brasil vindo da República Democrática do Congo (RDC), apresenta sintomas clínicos compatíveis com a enfermidade, incluindo febre alta e piora progressiva em seu estado geral. De acordo com informações obtidas pela reportagem do #Acese Político junto à Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) e ao Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), as amostras de sangue do paciente já foram coletadas para exames laboratoriais de alta complexidade. Embora o risco de estabelecimento do vírus no território nacional seja considerado muito baixo devido à ausência de voos diretos da região afetada, a gestão paulista agiu preventivamente para blindar o estado contra qualquer brecha de transmissão. A ameaça da cepa Bundibugyo e a ausência de vacina A grande preocupação das autoridades sanitárias internacionais, monitorada de perto pelo Ministério da Saúde comandado pelo ministro Alexandre Padilha, gira em torno da genética do vírus responsável pelo surto atual na África Central. Trata-se da cepa Bundibugyo, uma variante agressiva que esteve associada a dois históricos de surtos letais: um em 2007 na fronteira de Uganda, com 42 mortes, e outro em 2012 na própria RDC, que registrou 13 óbitos confirmados. O fator crítico que eleva a tensão nos bastidores da saúde pública é que, ao contrário da linhagem Zaire, responsável pelas maiores epidemias da história e combatida com o imunizante Ervebo, a cepa Bundibugyo ainda não possui vacina ou tratamento farmacológico específico aprovado. “As medidas previstas foram adotadas imediatamente a partir da identificação dos critérios clínicos e epidemiológicos. O procedimento padrão inclui o isolamento rigoroso, a notificação em tempo real às esferas federal e municipal, além do rastreamento de contatos próximos”, explicou Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da CCD, em nota divulgada pela CNN Brasil. Monitoramento de fronteiras O caso acende o alerta máximo em portos e aeroportos brasileiros, exigindo uma resposta firme da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Parlamentares de oposição na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), como o deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos-SP), já cobram explicações formais sobre o protocolo de triagem adotado no Aeroporto de Guarulhos para passageiros oriundos do continente africano, temendo que falhas de monitoramento possam expor a população a riscos biológicos severos.
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