Ibovespa sustenta 1º ganho semanal desde abril; dólar cai a R$ 5,06

O Ibovespa fechou com um queda modesta nesta sexta-feira (12) mas assegurou a primeira alta semanal desde abril. Já o dólar fechou  novamente abaixo dos R$ 5,10, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, em meio à esperança de que um acordo seja finalmente assinado por Estados Unidos e Irã. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com decréscimo de 0,21%, a 171.132,66 pontos, após oscilar entre a mínima de 169.992,77 e a máxima de 172.544,54. Na semana, acumulou uma alta de 1,25%, encerrando uma série de oito perdas semanais, a maior sequência na série histórica. O dólar à vista fechou com baixa de 0,76%, aos R$ 5,0610. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,83% e, no ano, queda de 7,80% ante o real. Veja cotações. Cena externa Na cena geopolítica, termos de um memorando proposto para pôr fim à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, divulgados por fontes ocidentais, paquistanesas e iranianas, atraiu críticas do presidente norte-americano, Donald Trump. Em uma publicação em rede social, Trump não especificou o que havia de impreciso nos relatos sobre o acordo proposto, mas afirmou que “os termos que o Irã vazou para notícias falsas não têm nada a ver com os termos que foram acordados por escrito”. De acordo com as informações sobre o memorando relatadas por fontes à Reuters, os EUA forneceriam imediatamente ao Irã bilhões de dólares em ativos descongelados e suspenderiam as sanções às suas exportações de petróleo. Em troca, o Irã suspenderia, o bloqueio ao Estreito de Ormuz. Todas as fontes enfatizaram que o texto ainda não era definitivo, com algumas afirmando que uma questão fundamental ainda a ser resolvida era a linguagem sobre o fim das hostilidades no Líbano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta sexta-feira que as negociações nucleares com os EUA só devem ocorrer em uma fase posterior e não vão avançar, a menos que um acordo provisório já proposto seja implementado. Ele disse que esse acordo provisório deve incluir a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim dos conflitos em diversas frentes e acrescentou que um memorando de entendimento ainda não foi assinado e pode sofrer alterações. Na véspera, Trump havia afirmado que havia cancelado novos ataques ao Irã na quinta-feira porque um acordo havia sido alcançado, alimentando expectativas de um desfecho para o conflito que começou no final de fevereiro. “Apesar dos ruídos ao longo da manhã e das divergências sobre os termos finais do acordo, prevaleceu a percepção de que um entendimento entre Washington e Teerã está mais próximo”, afirmou o analista de investimentos Bruno Shahini, da Nomad. Nesse contexto, o barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 3,37%, a US$ 87,33. SpaceX dispara quase 20% em estreia na Bolsa Em Nova York, o índice S&P 500 subiu 0,5%, em pregão com os holofotes voltados para as ações da SpaceX, que dispararam mais de 19% na estreia histórica na Nasdaq nesta sexta-feira, após a empresa de foguetes e espaçonaves precificar na véspera sua oferta inicial de ações de US$75 bilhões. Ao final desta sexta-feira, o seu valor de mercado era de mais de US$2 trilhões, transformando Elon Musk no primeiro trilionário da história. Na B3, o BDR das ações da SpaceX fechou em alta de 18,15%, a R$ 54,74. Inflação acima da meta no Brasil Investidores da bolsa paulista também analisaram nesta sessão dados de inflação no país. De acordo com o IBGE, o IPCA teve alta de 0,58% em maio, depois de subir 0,67% em abril. Pesquisa da Reuters apontava avanço de 0,53%. Em 12 meses, o índice avançou 4,72% em maio, de 4,39% em abril e expectativa de 4,66%. Assim, a inflação em 12 meses voltou a superar o teto da meta de inflação pela primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%). A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. “O cenário inflacionário segue preocupante para o Banco Central, que deve encerrar o ciclo de corte de juros na reunião da semana que vem”, afirmou o economista Leonardo Costa, do ASA. “Além da preocupação com a inflação corrente, também influenciam o fim do ciclo de corte de juros o cenário externo mais complexo e expectativas de inflação em alta.”
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