Jair Bolsonaro teria dito a aliados que Michelle é “incontrolável”

Muito antes da crise pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) já teria confidenciado a aliados e dirigentes do Partido Liberal que considerava a esposa “incontrolável” e resistente às articulações políticas. A informação foi publicada pela jornalista Vera Rosa, em análise no jornal O Estado de S. Paulo. Segundo a reportagem, Bolsonaro avaliava que Michelle não compreendia os bastidores da política e, por esse motivo, não defendia sua candidatura como sucessora do grupo político na disputa presidencial de 2026. De acordo com o Estadão, o ex-presidente também relatava que a ex-primeira-dama dificilmente aceitava decisões políticas com as quais discordava, citando como exemplo um episódio ocorrido durante as eleições de 2022. Divergência na eleição de 2022 Ainda conforme a publicação, quando ocupava a Presidência da República, Jair Bolsonaro apoiava a candidatura da então ministra Flávia Arruda (PL-DF) ao Senado pelo Distrito Federal. Michelle, no entanto, optou por apoiar a ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF), que acabou eleita. A reportagem afirma que, para evitar um conflito público com a esposa, Bolsonaro reduziu sua participação na campanha de Flávia Arruda. Desde então, Michelle e Damares mantiveram uma relação próxima. Segundo o Estadão, as duas participavam frequentemente de encontros informais no Palácio da Alvorada durante o governo Bolsonaro, ao lado do jurista Ives Gandra Martins, da filha dele, Ângela Martins, e de amigos. O grupo chegou a ser apelidado de “Confraria Damaroca”, em referência ao apelido dado por Michelle à senadora. Damares atua para conter crise no PL A análise informa que Damares Alves tem desempenhado papel de interlocutora na tentativa de reduzir a tensão entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Segundo a reportagem, a senadora e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), convenceram Michelle a permanecer filiada ao PL após a ex-primeira-dama cogitar deixar o comando do PL Mulher e até mesmo desistir de uma eventual candidatura ao Senado. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, também busca uma solução para o impasse. Conforme o Estadão, sua principal preocupação é evitar que a crise interna provoque novos desgastes ao grupo político liderado por Jair Bolsonaro. Vídeos ampliaram tensão entre Michelle e Flávio A reportagem destaca que a crise ganhou novos capítulos após Michelle divulgar um vídeo acusando Flávio Bolsonaro de tê-la humilhado durante uma conversa telefônica. Dias depois, ela compartilhou outro vídeo do ex-governador Anthony Garotinho, no qual ele faz referências à chamada “Noite das Astronautas”, festa promovida pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Embora o nome de Flávio Bolsonaro não tenha sido citado nas investigações ou em relação ao evento mencionado, opositores passaram a associá-lo ao caso após a divulgação de informações sobre negociações envolvendo recursos destinados ao financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. Ainda segundo Vera Rosa, Anthony Garotinho afirmou ter sido procurado por pessoas próximas a Michelle Bolsonaro interessadas em saber quais políticos participaram da festa. O ex-governador disse que não revelaria nomes e negou intenção de influenciar disputas eleitorais. Bastidores expõem divisão no grupo bolsonarista A análise publicada pelo Estadão sustenta que a sucessão de episódios evidencia divergências internas no núcleo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, justamente em um momento de definições sobre as candidaturas do campo conservador para as eleições de 2026. Até o momento, Michelle Bolsonaro mantém o discurso crítico em relação ao senador Flávio Bolsonaro, enquanto dirigentes do PL seguem tentando conter o desgaste e preservar a unidade do partido.
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