Estudo revela o que centenários têm em comum além da alimentação saudável
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Cagliari, na Itália, trouxe novas evidências sobre os fatores associados à longevidade nas chamadas “zonas azuis”, regiões reconhecidas mundialmente pela elevada concentração de pessoas com 100 anos ou mais. Além da alimentação equilibrada e da prática de atividades físicas, a pesquisa identificou que características da personalidade exercem papel importante no envelhecimento saudável. Os resultados foram publicados na revista científica International Journal of Applied Positive Psychology e tiveram como foco moradores da região da Sardenha, considerada uma das principais zonas azuis do mundo. Os pesquisadores compararam 55 idosos residentes na área de maior concentração de centenários com outros 70 participantes que vivem na mesma região, mas fora da zona azul. Os dois grupos tinham idade média de 80 anos e apresentavam perfis semelhantes em relação ao nível de escolaridade, condições socioeconômicas e capacidade cognitiva. Personalidade faz diferença Durante o estudo, os participantes passaram por avaliações sobre qualidade de vida, bem-estar psicológico, desempenho cognitivo e traços de personalidade. Para essa análise, os cientistas utilizaram o modelo conhecido como “Big Five”, que considera cinco características principais da personalidade: extroversão, abertura a novas experiências, conscienciosidade, amabilidade e neuroticismo. Os resultados mostraram que idosos com maiores níveis de abertura para novas experiências, organização, responsabilidade e empatia apresentaram melhor bem-estar psicológico e maior participação em atividades de lazer. Por outro lado, níveis elevados de neuroticismo, traço associado à ansiedade, preocupação excessiva e instabilidade emocional, estiveram relacionados à pior qualidade de vida. Relações sociais e resiliência também se destacam O levantamento revelou ainda que os moradores da zona azul demonstraram maior capacidade para lidar com dificuldades do cotidiano, melhor competência emocional e maior facilidade para compreender e compartilhar sentimentos. Outro fator observado foi a maior satisfação com os relacionamentos sociais e a participação mais frequente em atividades que estimulam o cérebro e o condicionamento físico. Segundo os pesquisadores, essas características contribuem para um estilo de vida mais ativo e podem explicar, em conjunto com hábitos saudáveis, o elevado número de centenários encontrado na região. Envelhecimento saudável No artigo científico, os autores afirmam que a combinação de traços positivos de personalidade, estratégias eficazes para enfrentar desafios e forte integração social favorece um envelhecimento bem-sucedido. Para os pesquisadores, os resultados reforçam que a longevidade depende de diversos fatores interligados e que aspectos psicológicos e emocionais também desempenham papel relevante ao lado da alimentação, da atividade física e da qualidade das relações sociais.
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