Novo tarifaço dos EUA entra em vigor no Brasil
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras entrou em vigor às 1h01 desta quarta-feira (22), no horário de Brasília. A medida estabelece uma tarifa adicional de 25% para determinados produtos do Brasil e foi adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte americana, após uma investigação sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo norte americano. A decisão foi oficializada pelo USTR na última semana e integra a política comercial do presidente Donald Trump. Segundo o governo dos Estados Unidos, a investigação apontou preocupações relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, fatores que, na avaliação de Washington, restringem ou prejudicam o comércio americano. Apesar de meses de negociações entre os dois países e da realização de audiências públicas com manifestações contrárias à medida, a sobretaxa foi confirmada. A tarifa incide sobre uma série de produtos brasileiros, enquanto alguns itens estratégicos para os Estados Unidos permanecem isentos, como café, carne bovina, suco de laranja, petróleo, celulose e componentes destinados à indústria aeronáutica. Do lado brasileiro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) classificou a decisão como injusta e reafirmou que continuará buscando uma solução negociada. Em nota divulgada após a oficialização da medida, o Palácio do Planalto afirmou que recorrerá aos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, caso seja necessário, mas sem abandonar o diálogo com Washington. Na véspera da entrada em vigor do tarifaço, o vice presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) e integrantes da equipe econômica reforçaram que a prioridade do Executivo é preservar as negociações, apoiar os setores exportadores atingidos e ampliar o acesso dos produtos brasileiros a novos mercados internacionais. O secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, afirmou que a orientação do governo é manter o diálogo tanto com os Estados Unidos quanto com o setor produtivo nacional. Segundo ele, o objetivo é minimizar os prejuízos provocados pela medida e buscar sua reversão. No Ministério da Fazenda, a estratégia também passou por ajustes. Inicialmente, integrantes da equipe econômica cogitavam o acionamento imediato da Lei da Reciprocidade. Posteriormente, o discurso foi moderado, com a avaliação de que uma resposta precipitada poderia ampliar as tensões comerciais e provocar novos aumentos tarifários. De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, o presidente Lula determinou a realização de estudos sobre os impactos econômicos da medida e orientou que qualquer eventual reação brasileira seja conduzida com cautela, evitando reflexos sobre os preços ao consumidor e preservando os canais diplomáticos entre os dois países. Enquanto isso, representantes da indústria e do agronegócio defendem que o governo concentre esforços na abertura de novos mercados para compensar as perdas provocadas pela sobretaxa americana e mantenha a negociação como principal caminho para reduzir os efeitos do novo cenário comercial.
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