Trump reforça Doutrina Monroe e defende domínio dos EUA sobre as Américas
O governo de Donald Trump voltou a colocar a Doutrina Monroe no centro da política externa dos Estados Unidos. Em vídeo divulgado pelo Departamento de Estado, a estratégia americana para o Hemisfério Ocidental é apresentada a partir de uma narrativa histórica que associa a política de Trump à tradição de presidentes que defenderam a ampliação da influência de Washington nas Américas. A produção recupera episódios da história dos Estados Unidos e cita presidentes como James Monroe, Theodore Roosevelt, John F. Kennedy e Ronald Reagan. Ao final, apresenta Trump como o “mais recente defensor” da Doutrina Monroe, em referência à estratégia adotada pela atual administração. A abordagem está alinhada à Estratégia de Segurança Nacional divulgada pelo governo americano em dezembro de 2025. O documento estabeleceu o chamado “Corolário Trump” da Doutrina Monroe e colocou o Hemisfério Ocidental entre as principais prioridades estratégicas de Washington. Trump fala em domínio americano A defesa da predominância dos Estados Unidos na região já havia sido feita diretamente por Trump após a operação militar americana na Venezuela, em janeiro de 2026, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Na ocasião, o presidente afirmou que, sob a nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental não voltaria a ser questionado. A declaração foi registrada em transcrições do pronunciamento de Trump e posteriormente incorporada ao discurso estratégico de sua administração. O novo material divulgado pelo governo retoma essa declaração e a utiliza como conclusão de uma retrospectiva que começa no século XVIII e passa por diferentes fases da política externa americana. De Monroe a Trump A Doutrina Monroe foi apresentada pelo presidente James Monroe ao Congresso americano em 1823. Originalmente, o princípio estabelecia oposição à criação de novas colônias europeias no continente americano e advertia as potências europeias contra novas intervenções no Hemisfério Ocidental. Com o passar das décadas, porém, a interpretação americana da doutrina foi ampliada. O vídeo destaca a atuação do secretário de Estado Richard Olney no século XIX e posteriormente o Corolário Roosevelt, associado à justificativa para intervenções dos Estados Unidos na América Latina. A produção também menciona a Guerra Hispano-Americana, a influência americana no Caribe, a independência do Panamá e a construção do Canal do Panamá. Outro episódio lembrado é a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, quando Estados Unidos e União Soviética estiveram envolvidos em um dos momentos mais tensos da Guerra Fria. Estratégia de Trump mira influência estrangeira A Estratégia de Segurança Nacional de 2025 afirma que os Estados Unidos devem reafirmar sua predominância no Hemisfério Ocidental e impedir que potências de fora da região obtenham influência estratégica sobre governos, infraestrutura e recursos considerados relevantes para a segurança americana. O documento também prevê uma mudança na distribuição dos recursos militares dos Estados Unidos, com maior atenção ao continente americano, além de ações voltadas ao controle migratório, combate ao tráfico de drogas e proteção de cadeias de abastecimento. A Casa Branca já havia apresentado oficialmente, em dezembro, a chamada “Doutrina Trump”, afirmando que os americanos deveriam manter o controle de seu próprio destino no Hemisfério Ocidental. América Latina entra no centro da disputa geopolítica A mudança de orientação representa uma maior concentração da política externa americana sobre a América Latina e o Caribe, especialmente diante da presença econômica e estratégica de países como China e Rússia na região. Análises sobre a nova estratégia apontam que Washington pretende ampliar sua presença militar e econômica no hemisfério, ao mesmo tempo em que busca limitar a influência de concorrentes externos. O vídeo divulgado pelo Departamento de Estado reforça, portanto, uma mensagem que já vinha sendo construída pelo governo Trump, a de que os Estados Unidos pretendem recuperar uma posição de predominância sobre o Hemisfério Ocidental e tratar a região como uma área prioritária de sua política de segurança nacional.
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