Senadores e deputados ameaçam travar votações até saída de Moraes, e pressão cresce no Congresso
A crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou uma nova dimensão política nesta terça-feira, 1º de setembro. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu a obstrução das votações do Senado até que o magistrado deixe a Corte por renúncia ou impeachment. A proposta ocorre após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos da Polícia Federal que reúnem mensagens e informações sobre a relação entre Moraes e o fundador do Banco Master. Damares afirmou que pretende percorrer os gabinetes dos senadores para tentar construir apoio à paralisação das votações. Segundo ela, nenhuma PEC ou projeto de lei deveria avançar enquanto não houver uma solução para a permanência de Moraes no Supremo. A reação não ficou restrita ao Senado. A maioria dos parlamentares da oposição, entre senadores e deputados, demonstra indignação com as novas revelações envolvendo Moraes e Vorcaro, enquanto cresce a cobrança por investigação e esclarecimentos. A ofensiva já inclui novos pedidos de impeachment, manifestações pela saída do ministro e pedidos de afastamento cautelar. Nikolas anuncia pedido de investigação e prisão Na Câmara, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou que pretende acionar o próprio STF para pedir a abertura de investigação contra Moraes, além de afastamento cautelar e prisão preventiva do ministro. O parlamentar justificou o pedido alegando que seria necessário evitar eventual fuga do país. A iniciativa foi anunciada após a divulgação de informações da PF sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e documentos relacionados ao Banco Master. Nikolas afirmou nas redes sociais que Moraes precisa ser investigado e responsabilizado, embora não exista, até o momento, condenação contra o ministro pelas suspeitas apresentadas no material. Flávio Bolsonaro cobra renúncia O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também defendeu a saída de Moraes do STF. Para o parlamentar, caso sejam confirmadas as suspeitas envolvendo o ministro e Vorcaro, não haveria condições políticas para sua permanência na Corte. As declarações ocorrem após a PF apontar que Moraes teria participado de alterações em uma versão de contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Segundo a defesa do escritório, as alterações estariam relacionadas a uma avaliação de compliance para verificar possíveis conflitos de interesse. Contrato e mensagens ampliam pressão O material tornado público por Mendonça também reúne mensagens de Vorcaro relacionadas a Moraes. Segundo a investigação, o banqueiro teria mantido contato com o ministro em período próximo à sua prisão e feito questionamentos sobre a possibilidade de deixar o país. A PF também identificou o ex-ministro Fábio Faria como uma das pessoas que fizeram a ponte entre Vorcaro e Moraes. Mensagens indicam que Faria intermediou contatos e encontros entre os dois, antes da contratação do escritório de Viviane Barci de Moraes pelo Banco Master. Senado vira centro da disputa A ofensiva ganhou um novo capítulo com o pedido de impeachment apresentado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG). O parlamentar afirmou que poderá cobrar medidas contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), caso a representação seja arquivada. Ao mesmo tempo, a pressão política esbarra na resistência de setores do Senado. Segundo a Folha, parlamentares da oposição reconhecem que ainda existe dificuldade para transformar os pedidos de impeachment em um processo efetivo, diante da posição de Alcolumbre e de parte do centrão. A crise também chegou ao próprio STF. Mendonça conversou com o presidente da Corte, Edson Fachin, sobre a possibilidade de levar o caso ao plenário, onde os ministros poderiam avaliar a abertura de uma investigação sobre Moraes. Enquanto isso, Damares tenta transformar a indignação parlamentar em uma estratégia de pressão institucional. Se a obstrução anunciada ganhar adesão, votações de interesse do governo Lula, incluindo a discussão sobre a escala 6×1 e outras medidas em tramitação no Congresso, poderão enfrentar dificuldades para avançar. Importante: as informações divulgadas pela PF são elementos de uma investigação e não equivalem, por si só, à comprovação de crime. Moraes e os demais citados têm direito à defesa e à presunção de inocência, enquanto as autoridades avaliam o conteúdo dos documentos.
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