China amplia estratégia em minerais críticos com patentes e tecnologia
A China ampliou sua estratégia para os minerais críticos ao avançar no registro de patentes, avalia Robert Perrons, pesquisador da Queensland University of Technology (QUT), na Austrália. Para o especialista, o controle da extração e do refino passou a ser acompanhado por uma disputa por tecnologia e conhecimento. A avaliação foi apresentada durante passagem pelo Brasil no início de outubro, quando Perrons participou de um seminário promovido pela FGV-SP. Sua análise utiliza dados da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), abrangendo quase um milhão de registros de patentes em tecnologia mineral entre 2000 e 2019. Nesse recorte, o pesquisador identifica a passagem da China de uma posição periférica para a liderança em volume de registros. Propriedade intelectual ganha importância na mineração Perrons distingue a posse de recursos minerais da capacidade de processá-los e desenvolver soluções tecnológicas para sua exploração. A concentração de reservas e da produção em determinados países oferece vantagens na etapa inicial da cadeia. O processamento, porém, seguiu uma trajetória própria, com a China ampliando sua presença no refino. “Quando as nações ocidentais decidiram afastar as etapas de refino por considerá-las poluentes, a China assumiu o controle do setor, antecipando seu valor estratégico de longo prazo”, afirmou. Na avaliação do pesquisador, o avanço em patentes dá continuidade a essa estratégia. A disputa passa a envolver o domínio das técnicas necessárias para transformar recursos minerais em produtos utilizados pela indústria. Inteligência artificial redefine a operação das minas A transformação tecnológica mudou o perfil da inovação na mineração. Perrons contrapõe a antiga ênfase no aumento do porte dos equipamentos à integração de sistemas digitais nas operações. A inteligência artificial e a internet das coisas ampliam o uso de dados na atividade. Ferramentas de Big Data e realidade virtual completam esse processo de digitalização. Para o especialista, essa evolução tornou a mineração uma atividade de maior complexidade científica, deslocando parte da atenção dos ativos físicos para o conhecimento técnico. Jazidas complexas exigem engenharia e investimento Perrons compara o desafio atual da mineração à trajetória da exploração de petróleo e gás no Golfo do México. Naquele setor, o avanço para águas mais profundas exigiu soluções tecnológicas e investimentos crescentes. A mineração enfrenta uma necessidade semelhante ao buscar jazidas mais complexas. A capacidade de desenvolver engenharia e aplicar conhecimento científico passa a ser determinante para viabilizar essas operações. O domínio tecnológico ganha importância à medida em que as condições de exploração se tornam mais exigentes. Brasil e Austrália enfrentam desafio de qualificação A mudança aumenta a demanda por profissionais especializados. Na avaliação apresentada por Perrons, a formação de pessoal é um gargalo compartilhado por Brasil e Austrália. Uma agenda conjunta de pesquisa e capacitação entre universidades e empresas dos dois países poderia ajudar a enfrentar essa limitação. A inovação precisa responder, ainda, às exigências socioambientais. O pesquisador destaca que sociedade e investidores cobram padrões mais rigorosos de sustentabilidade em toda a cadeia mineral, ampliando as responsabilidades técnicas das operações.
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