Bolsa brasileira enfrenta queda e dólar dispara após reeleição de Lula

A reeleição do presidente Lula da Silva (PT) provocou forte reação nos mercados financeiros nesta segunda-feira (26). Investidores se preparam para uma sessão de volatilidade na Bolsa brasileira, pressão sobre o real e alta dos juros futuros, após o resultado eleitoral contrariar as expectativas de parte do mercado, que apostava na vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Antes da abertura regular da B3, os sinais de queda já eram expressivos no exterior. O fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, conhecido como EWZ, recuava cerca de 26% no pré-mercado, enquanto contratos futuros do real registravam desvalorização superior a 10% em negociações internacionais. Esses valores são indicadores do mercado externo e não correspondem à cotação oficial do dólar comercial no Brasil.  Na última sexta-feira (23), antes do segundo turno, o dólar comercial encerrou cotado a aproximadamente R$ 4,99, enquanto o Ibovespa fechou aos 205 mil pontos. Com a vitória de Lula, operadores passaram a rever posições montadas nas semanas anteriores, quando a expectativa de mudança no comando do governo havia impulsionado ações brasileiras e valorizado o real.  Política fiscal será decisiva para os mercados A reação dos investidores deve depender, nos próximos dias, das sinalizações do governo sobre controle dos gastos públicos, trajetória da dívida e prioridades para o Orçamento de 2027. Analistas também apontam a escolha do próximo ministro da Fazenda como um dos primeiros sinais sobre a orientação econômica do novo mandato. Relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters destaca que Lula terá de negociar com um Congresso de maioria conservadora e apresentar um caminho considerado confiável para estabilizar as contas públicas. Sem clareza sobre a política fiscal, alertam analistas, a pressão sobre os juros e o câmbio poderá persistir.  Analistas veem volatilidade no curto prazo A expectativa de queda dos ativos está ligada, em parte, ao posicionamento de investidores que haviam apostado em uma vitória de Flávio. A reversão dessas operações pode intensificar os movimentos de venda no início do pregão, embora a dimensão e a duração dos ajustes dependam das condições de mercado e das próximas decisões econômicas. Para o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, citado pelo O Globo nesta segunda-feira, será importante acompanhar como o governo se organizará para 2027 e como suas medidas econômicas avançarão no médio prazo.
Fonte: Clique aqui

Deixe o primeiro comentário