Empresas brasileiras renegociam R$ 670 bilhões em dívidas em meio a juros elevados
O cenário de juros elevados no Brasil tem levado empresas a ampliarem os processos de renegociação de dívidas junto a bancos e credores. Segundo levantamento da consultoria especializada em reestruturação Virtus BR, feito a pedido do Valor Econômico, o volume de débitos corporativos atualmente em renegociação chegou a R$ 670 bilhões, equivalente a cerca de 10% de todo o estoque de crédito empresarial no país. O número representa um avanço expressivo em comparação ao início de 2024, quando o montante estimado girava em torno de R$ 260 bilhões, antes do ciclo recente de alta das taxas de juros. De acordo com o estudo, aproximadamente R$ 180 bilhões das renegociações envolvem empresas listadas na Bolsa. Entre os principais casos está a Raízen, que conduz recuperação extrajudicial e negocia passivos com bancos e detentores de títulos internacionais. Outra companhia citada é a Braskem, que também busca alternativas para reorganizar suas dívidas. Já a Toky entrou recentemente na lista de empresas em recuperação judicial, com compromissos superiores a R$ 1 bilhão. O levantamento ainda inclui empresas como GPA, Ambipar, Oncoclínicas, AgroGalaxy e Lupatech, todas envolvidas em processos de recuperação judicial, extrajudicial ou reestruturação financeira. Entre as empresas de capital fechado, consideradas mais vulneráveis por terem menor acesso à liquidez, o volume estimado de dívidas em renegociação soma cerca de R$ 490 bilhões. Especialistas apontam que muitas companhias enfrentam dificuldades para gerar caixa suficiente para honrar o pagamento dos juros. Pesquisa da RK Partners mostra que 24% das empresas não conseguem produzir recursos suficientes para cobrir os encargos financeiros da dívida. O levantamento também indica que 45% das companhias apresentam alavancagem superior a três vezes o Ebitda, enquanto 20% ultrapassam seis vezes esse indicador. O sócio-fundador da Virtus BR, Douglas Bassi, afirmou que a procura por serviços de reestruturação financeira cresceu nos últimos meses, principalmente nos setores do agronegócio, construção civil e manufatura. Segundo ele, a perspectiva de juros elevados por mais tempo, agravada por pressões inflacionárias internacionais, mantém o ambiente de cautela. Na avaliação do sócio da área de reestruturação do escritório Lefosse, Roberto Zarour, os grandes pedidos de recuperação judicial acabaram gerando um efeito em cadeia sobre fornecedores e parceiros comerciais. “Os bancos estão preocupados e tentando alongar as dívidas das empresas, mas exigindo mais garantias”, afirmou. Já Giuliano Colombo, sócio da área de reestruturação do escritório Pinheiro Neto, destacou que o atual ciclo econômico afetou diversos setores simultaneamente, tornando o custo da dívida insustentável para parte das empresas. Segundo Ricardo Jacomassi, sócio da TCP Partners, o ambiente de pressão financeira deve continuar ao longo do ano, mantendo elevado o número de processos de recuperação judicial e renegociação no mercado corporativo brasileiro. As empresas citadas no levantamento preferiram não comentar o assunto.
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