Wagner critica ACM Neto e diz que Bahia pode “andar para trás” com adversário

O senador Jaques Wagner (PT) afirmou que a Bahia poderá “andar para trás” caso ACM Neto (União Brasil) seja eleito governador em outubro. A declaração ocorreu neste domingo (16), durante comício em Irecê, no centro-norte do estado, em um dos primeiros atos da campanha governista no interior. Wagner criticou a aproximação de Neto com o presidente Lula da Silva (PT) e classificou o adversário como integrante da oposição. “[ACM Neto] veste pele de cordeiro, finge que é amigo de Lula. Não, ele não é amigo de Lula”, afirmou o senador. Para Wagner, votar em Lula e, ao mesmo tempo, em um adversário seria contraditório. ACM Neto sendo eleito governador  Durante o discurso, o senador também afirmou que uma eventual vitória da oposição representaria um retrocesso para o estado. “A Bahia não pode andar para trás. A principal lição que tentei levar adiante foi inaugurar um novo tempo na política”, declarou. O embate ocorre em uma eleição na qual a trajetória dos principais grupos políticos da Bahia deve ocupar espaço relevante na campanha. Wagner governou o estado entre 2007 e 2014, enquanto ACM Neto comandou Salvador entre 2013 e 2020 e também exerceu mandato de deputado federal. Apesar das críticas de Wagner, não há registro de condenação de ACM Neto por corrupção. Ao longo de sua trajetória, porém, denúncias e investigações envolvendo integrantes de suas administrações e aliados políticos foram utilizadas por adversários para questionar sua gestão. Em julho deste ano, o Ministério Público da Bahia passou a investigar um suposto esquema de fraudes em contratos da Prefeitura de Salvador. A apuração envolve empresas que receberam mais de R$ 321 milhões do município entre 2015 e 2026. ACM Neto não é apontado como investigado no caso e defendeu que as suspeitas sejam apuradas com rigor. Histórico de Wagner também entra no debate O discurso de Wagner ocorre em um momento no qual seu próprio histórico político também é explorado pelos adversários. O senador foi alvo de investigações relacionadas à Operação Lava Jato e à Operação Cartão Vermelho, que apurou suspeitas envolvendo a reconstrução da Arena Fonte Nova. Em fevereiro de 2025, entretanto, a Justiça Federal homologou o arquivamento de um inquérito que investigava Wagner por suspeita de lavagem de dinheiro. Segundo a decisão, o Ministério Público Federal concluiu que não havia elementos suficientes de materialidade e autoria para prosseguir com a investigação. Outro processo relacionado à Lava Jato também havia sido arquivado anteriormente. Portanto, acusações e investigações do passado não equivalem a condenações definitivas contra o senador. Senador diz que eleição será a última Além das críticas a ACM Neto, Wagner afirmou que a eleição de 2026 deverá ser sua última disputa eleitoral. Durante uma caminhada realizada no domingo, ele mencionou a idade e disse que pretende abrir espaço para novas lideranças políticas depois do próximo mandato. “Eu já estou com 75, mais 8 anos, 84, tá bom, né? Tem que dar espaço para juventude chegar”, declarou.
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