Sem disputa pelo governo, Bahia pode dificultar mobilização para Lula no segundo turno

A ausência de uma disputa pelo governo da Bahia no segundo turno pode dificultar a mobilização de prefeitos aliados e prejudicar o desempenho eleitoral do presidente Lula (PT) no estado. Nos bastidores, lideranças governistas demonstram preocupação com a perda de entusiasmo das bases municipais após a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), principalmente após a ‘onda verde amarelo’ por Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, as campanhas estaduais e proporcionais ajudaram a movimentar as estruturas políticas nos municípios, com prefeitos, deputados e lideranças locais envolvidos na busca por votos. Agora, sem candidatos ao governo estadual na disputa, a mobilização perdeu parte de seu principal incentivo, segundo a avaliação de integrantes da base governista. O desafio da campanha presidencial é manter o engajamento dos gestores municipais até a votação deste domingo (25). A preocupação é que a redução das atividades políticas no interior afete a capacidade de Lula de ampliar sua votação na Bahia, tradicional reduto eleitoral do petista. Lula preferia segundo turno entre Jerônimo e ACM Neto Segundo interlocutores do presidente, Lula desejava que ACM Neto (União Brasil) avançasse para o segundo turno da eleição estadual. Na avaliação desse grupo, a continuidade da disputa pelo governo baiano poderia manter prefeitos e lideranças políticas mobilizados por mais tempo, criando um ambiente favorável também à campanha presidencial. Com Jerônimo reeleito no primeiro turno, entretanto, a disputa estadual foi encerrada, e a campanha de Lula passou a depender de uma articulação específica para manter o envolvimento dos aliados nos municípios. PT tenta ampliar votação na Bahia A dificuldade de mobilização representa um desafio para o grupo governista, que busca ampliar a votação presidencial e reduzir a abstenção no estado. Em outubro, Jerônimo reuniu prefeitos e ex-prefeitos em Salvador para reforçar a campanha do presidente, numa tentativa de manter as lideranças municipais envolvidas até o segundo turno. A oposição também atua para conquistar apoio no interior baiano. ACM Neto declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial, levando centenas de aliados políticos e lideranças da oposição a buscarem cada voto no interior da Bahia.
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