Aécio Neves sinaliza que PSDB pode ficar neutro em disputa presidencial
O presidente nacional do Partido da Social Democracia Brasileira, Aécio Neves (PSDB), tem sinalizado a aliados que a legenda poderá adotar posição de neutralidade na disputa presidencial de outubro, após a negativa de Ciro Gomes (PSDB) em concorrer ao Palácio do Planalto pelo partido. Nos bastidores, dirigentes tucanos avaliam que o cenário mais provável é o PSDB não declarar apoio formal nem ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome ligado ao campo bolsonarista, nem ao presidente Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição. Segundo interlocutores, Aécio ainda considera a possibilidade de buscar um nome alternativo para representar a legenda na corrida presidencial, mas a prioridade atual é preservar o PSDB em uma posição de centro e centro-direita, distante dos extremos políticos. “Continuo acreditando que o Brasil é muito maior que Lula e Bolsonaro somados”, afirmou Aécio Neves em declaração à Coluna do Estadão. O dirigente tucano também disse que o partido seguirá tentando construir uma alternativa política moderada no país. “O PSDB ainda acredita na possibilidade de construir um caminho ao centro para o Brasil e intensificará nas próximas semanas conversas com outros atores de dentro e fora do partido, para pelo menos qualificarmos o debate sobre o Brasil que até agora, em razão dessa polarização tão rasa, ainda não ocorreu”, declarou. A estratégia de neutralidade ganhou força após a divulgação de diálogos envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Integrantes do PSDB avaliam que o episódio reforçou internamente a resistência da legenda em aderir ao projeto bolsonarista. Aécio também trabalha para reconstruir a bancada tucana na Câmara dos Deputados. O objetivo da sigla é eleger cerca de 35 deputados federais em 2026, em uma tentativa de recuperação após sucessivas perdas políticas nos últimos anos. Caso a neutralidade seja confirmada, a avaliação interna é que a maioria dos diretórios estaduais deverá apoiar Flávio Bolsonaro informalmente, enquanto parte menor da legenda pode migrar para o palanque de Lula. Além do cenário presidencial, Aécio Neves também monitora os movimentos da disputa em Minas Gerais, estado onde foi governador entre 2003 e 2010. Pré-candidato ao Senado, o tucano vem sendo procurado por grupos políticos ligados tanto ao campo lulista quanto ao bolsonarista. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), aparece entre os interlocutores do deputado mineiro, especialmente após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) de disputar o governo estadual. Ao mesmo tempo, aliados do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que lidera pesquisas recentes ao governo mineiro, também têm buscado aproximação com o PSDB. O partido tenta reorganizar sua estrutura após enfrentar o pior desempenho eleitoral de sua história em 2022, quando perdeu o governo de São Paulo após quase երեք décadas no poder estadual e viu reduzir sua bancada federal. A sigla também sofreu baixas importantes, como a saída do ex-governador Geraldo Alckmin, atualmente filiado ao PSB e vice-presidente da República. “Mesmo menorzinho, nós temos que registrar a importância do PSDB. Existe vida inteligente fora dos extremos”, afirmou Aécio em declaração dada em 2023. A movimentação do PSDB ocorre em meio à tentativa de sobrevivência política da legenda.
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