Agropecuária da Bahia cresce 5,8% no 1º trimestre de 2026
A agropecuária baiana registrou crescimento real de 5,8% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, e voltou a se destacar entre os principais segmentos da economia do estado. Os dados constam do Boletim de Conjuntura Agropecuária da Bahia, elaborado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). O resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho de culturas como soja, algodão, café, cacau e milho, além da expansão da atividade pecuária. De acordo com a SEI, este foi o quinto trimestre consecutivo em que a agropecuária apresentou crescimento superior ao Produto Interno Bruto (PIB) baiano. No primeiro trimestre, o Valor Adicionado da agropecuária chegou a aproximadamente R$ 5,8 bilhões. O desempenho ajudou a sustentar o resultado da economia estadual, que cresceu 0,4% no período, enquanto a agropecuária avançou 5,8%. No mesmo intervalo, a indústria recuou 5,9% e os serviços cresceram 2,7%. Pecuária registra recordes A produção pecuária também apresentou números expressivos no início do ano. O abate de bovinos alcançou aproximadamente 349 mil cabeças no primeiro trimestre, o maior volume registrado para o período na série histórica, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção de leite também atingiu recorde, chegando a cerca de 161 milhões de litros entre janeiro e março. O volume representa alta de 3% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho da pecuária se soma aos resultados positivos das lavouras e reforça a participação do setor agropecuário na atividade econômica baiana. Safra de grãos deve superar 13 milhões de toneladas As estimativas para 2026 também apontam para uma nova expansão da produção agrícola. A safra de cereais, oleaginosas e leguminosas deve superar 13 milhões de toneladas, crescimento de 3,2% em relação a 2025. Entre os principais destaques estão a soja, com estimativa de produção de 8,9 milhões de toneladas, alta de 3,8%; o algodão, com 1,84 milhão de toneladas, aumento de 2,8%; o café, com previsão de 294 mil toneladas, crescimento de 12,5%; e o cacau, cuja produção estimada chega a 137 mil toneladas, avanço de 15,4%. O milho também aparece entre as culturas de destaque. Segundo a Seagri, a produção total, considerando a segunda safra, pode chegar a 2,74 milhões de toneladas em 2026, alta de 18,2% sobre o ano anterior. China continua como principal destino O desempenho do agronegócio também se reflete no comércio exterior. A China permaneceu como principal destino das exportações do agronegócio baiano no primeiro trimestre de 2026, respondendo por 39,3% das vendas externas do setor. As exportações para o mercado chinês alcançaram US$ 524 milhões, crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025. Na sequência aparecem Países Baixos, Estados Unidos e Espanha. O algodão também manteve participação relevante nas vendas externas. Os embarques chegaram a 164,9 mil toneladas no primeiro trimestre, alta de 9,7%, enquanto a receita alcançou US$ 249,1 milhões. Crédito rural supera R$ 7 bilhões Outro indicador de movimentação do setor é o crédito rural. Entre julho de 2025 e março de 2026, foram contratados R$ 7,05 bilhões em financiamentos destinados à agricultura empresarial no âmbito do Plano Safra 2025/2026, sem considerar os recursos do Pronaf. Os bancos públicos responderam por 66% dos recursos, enquanto instituições privadas participaram com 28% e cooperativas de crédito com 6%. A distribuição, porém, ficou concentrada em algumas regiões. Bacia do Rio Grande, Bacia do Rio Corrente, Extremo Sul e Litoral Sul concentraram aproximadamente 74% do crédito destinado à agricultura empresarial no período. Entre as culturas que mais receberam financiamento estão soja, algodão, café, milho e cacau. Juntas, elas responderam por 64,4% do crédito rural destinado à agricultura no âmbito do Plano Safra. O conjunto dos indicadores reforça o peso da agropecuária para a economia da Bahia, com crescimento da produção, expansão das exportações, aumento da atividade pecuária e ampliação do financiamento destinado ao setor. A SEI mantém o Boletim de Conjuntura Agropecuária como publicação trimestral para acompanhar a evolução do segmento no estado.
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