Aliados de Lula tentam reaproximação com Moraes após crise envolvendo caso Master e derrota de Jorge Messias

Aliados do presidente Lula da Silva (PT) atuam nos bastidores para reconstruir a relação entre o Palácio do Planalto e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após o desgaste provocado pelo caso Banco Master e pela rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. Segundo relatos de integrantes do governo e interlocutores do Judiciário, a avaliação dentro do PT é de que um rompimento definitivo entre Lula e Moraes não interessa a nenhuma das partes, especialmente em meio ao cenário político e eleitoral de 2026. Nos bastidores, auxiliares do presidente acreditam que Moraes teria atuado de forma indireta para enfraquecer a indicação de Jorge Messias ao Supremo. As suspeitas surgiram devido à proximidade do ministro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), figura considerada decisiva no processo que terminou com a rejeição histórica do nome indicado pelo governo. A leitura de petistas é de que Alexandre de Moraes ficou desconfortável com a aproximação de Jorge Messias do ministro André Mendonça, relator de ações relacionadas ao caso Master no STF. Além disso, integrantes do governo avaliam que a chegada de Messias à Corte poderia alterar o equilíbrio interno entre ministros. Mesmo diante do desgaste, lideranças próximas a Lula defendem a retomada do diálogo. Moraes passou a ser tratado como um aliado estratégico do presidente desde as eleições de 2022, principalmente após sua atuação à frente do Tribunal Superior Eleitoral durante o período de tensão institucional envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A relação entre Lula e ministros do Supremo se intensificou ao longo do atual mandato. Além de Moraes, o presidente mantém interlocução frequente com Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Reuniões reservadas e encontros informais entre integrantes do governo e magistrados passaram a ocorrer com frequência nos últimos anos. O desgaste mais recente começou após a repercussão do caso Banco Master. Integrantes do governo demonstraram preocupação com a associação entre Moraes e personagens ligados ao empresário Daniel Vorcaro, especialmente após a divulgação de contratos envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro. Em abril, durante entrevista ao site ICL Notícias, Lula afirmou publicamente que aconselhou Moraes a se declarar impedido em eventuais julgamentos relacionados ao caso Master no STF. “Você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de Janeiro. Não permita que esse caso jogue fora sua biografia”, declarou o presidente na ocasião. Segundo interlocutores do ministro, a declaração foi recebida com desconforto, embora Moraes tenha interpretado a fala como um movimento político de Lula diante da pressão eleitoral. Após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado, Moraes iniciou uma articulação informal para negar qualquer interferência no resultado da votação. O ministro conversou com integrantes do governo e lideranças petistas, incluindo o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Em um voo da FAB entre Brasília e São Paulo, Moraes também teria afirmado ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) e a ministros do governo que não atuou para influenciar senadores contra o nome de Jorge Messias. Aliados de Moraes argumentam que o ministro possui pouca influência direta no Senado, mantendo interlocução mais próxima apenas com Davi Alcolumbre e o ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Ainda assim, admitem que ele não trabalhou para evitar o desgaste do governo. O entorno de Lula também avalia que Moraes tem interesse em preservar a relação com o Palácio do Planalto diante do avanço da oposição. Ministros e aliados do governo acreditam que uma eventual vitória eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia ampliar pressões políticas contra integrantes do Supremo, incluindo discussões sobre pedidos de impeachment de ministros da Corte. Na última semana, Lula e Moraes estiveram presentes na posse do ministro Nunes Marques na presidência do STF. Durante a cerimônia, a primeira-dama Janja da Silva cumprimentou Alexandre de Moraes de forma calorosa, gesto interpretado nos bastidores como um sinal de tentativa de distensão entre os dois lados.
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