Aprovação de Trump cai a 33% e acende alerta para republicanos

A aprovação de Donald Trump caiu para 33%, o menor nível registrado desde o início da série da Focaldata, em maio deste ano. O resultado, divulgado pelo Financial Times neste domingo (6), representa uma queda de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior e aumenta a pressão sobre o governo às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. O cenário preocupa especialmente porque o desempenho do presidente pode influenciar diretamente a disputa pelo controle do Congresso. Diferentemente das eleições presidenciais, o pleito de novembro definirá vagas na Câmara dos Representantes e no Senado, funcionando também como um importante teste político para a administração Trump. Economia pesa contra Trump A pesquisa mostra que a insatisfação econômica está entre os principais motivos para a queda da popularidade. Quase dois terços dos entrevistados avaliam que a economia dos Estados Unidos está seguindo na direção errada, enquanto 57% afirmam estar em situação financeira pior desde o retorno de Trump à Casa Branca, no início de 2025. A avaliação entre os próprios republicanos também sofreu deterioração. A aprovação da condução da economia e da política de empregos caiu para 53% nesse grupo, quase oito pontos percentuais abaixo do levantamento anterior. Mesmo considerando apenas a avaliação geral do governo, a aprovação entre eleitores republicanos recuou para 72%, o menor resultado registrado pela Focaldata desde o início da série. Custo dos combustíveis aumenta pressão O preço dos combustíveis tornou-se outro ponto de preocupação. Segundo dados da associação automobilística AAA, o preço médio nacional do diesel atingiu US$ 5,85 por galão em 5 de setembro, superando o antigo recorde registrado em 2022. O valor continuou subindo nos dias seguintes, chegando a aproximadamente US$ 5,90 em 7 de setembro. A alta do diesel pode pressionar custos de transporte, agricultura e indústria, com reflexos sobre os preços pagos pelos consumidores. O levantamento da Focaldata também ocorre em meio às consequências econômicas do conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, citado pelo Financial Times como um dos fatores associados ao aumento dos custos de energia e das despesas de financiamento do governo americano. Tarifas contra o Canadá enfrentam rejeição A política comercial de Trump também aparece entre os pontos de desgaste. 56% dos entrevistados desaprovam a decisão de impor uma tarifa adicional de 50% sobre determinados produtos canadenses. Entre os eleitores independentes, a resistência é ainda maior. A medida foi formalizada pela Casa Branca e entrou em vigor em agosto para produtos específicos do Canadá. A insatisfação com as tarifas não é isolada. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no início de setembro também mostrou maioria dos americanos contrária às novas tarifas sobre produtos canadenses. Trump pode prejudicar candidatos republicanos O desgaste começa a produzir efeitos eleitorais. Segundo a pesquisa da Focaldata, 46% dos entrevistados afirmam que o desempenho de Trump está dificultando a eleição de candidatos republicanos para o Congresso. Entre os eleitores independentes, 47% dizem que um candidato apoiado por Trump teria menos chances de receber seu voto. O dado preocupa estrategistas do partido, principalmente em distritos considerados competitivos. O Financial Times também destacou que integrantes do Partido Republicano demonstram preocupação com o impacto da baixa popularidade presidencial sobre as campanhas para novembro. Casa Branca rejeita avaliação negativa Apesar dos números, a Casa Branca rejeita a avaliação de que a política econômica do governo esteja fracassando. Segundo declaração divulgada pelo Financial Times, o governo mantém a estratégia baseada em cortes de impostos, desregulamentação e aumento da produção de energia. A administração também aponta o desempenho do emprego privado como sinal de que suas medidas econômicas estão produzindo resultados. Pesquisa O levantamento da Focaldata foi realizado entre 28 de agosto e 1º de setembro, com 1.914 eleitores registrados nos Estados Unidos. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais. Com a aprovação em 33%, a pesquisa estabelece um novo piso para Trump na série da Focaldata e coloca a situação econômica no centro da disputa política antes das eleições de meio de mandato de novembro.
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