Ciro Gomes atrai eleitores de Lula e Flávio sem entrar na disputa presidencial
O ex-presidenciável Ciro Gomes, candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, adotou uma estratégia de distanciamento da disputa presidencial para tentar ampliar sua capacidade de diálogo com eleitores de diferentes grupos políticos. O tucano tem feito acenos tanto aos apoiadores de Lula da Silva (PT) quanto aos de Flávio Bolsonaro (PL), enquanto repete que sua prioridade é a eleição estadual. A estratégia ganhou força diante da força eleitoral de Lula no Ceará. Em entrevista recente, Ciro afirmou que agradece o apoio de eleitores de diferentes candidatos à Presidência e defendeu que a disputa nacional não interfira em sua campanha pelo governo estadual. A movimentação foi revelada pela revista Veja, que destacou a tentativa do candidato de manter uma posição independente na eleição nacional. O cálculo político é direto. Embora tenha apoio de setores ligados à direita no Ceará, Ciro também precisa alcançar eleitores que mantêm preferência pelo presidente, sobretudo em um estado onde Lula apresenta forte desempenho eleitoral. Ciro busca juntar lulistas e bolsonaristas Em outra declaração, o candidato citou a composição de sua própria chapa para reforçar a ideia de que pretende reunir grupos políticos distintos. Ciro destacou a presença de Mauro Benevides Filho, responsável pela coordenação de seu programa de governo, e de Alcides Fernandes, candidato ao Senado em sua chapa e aliado do campo bolsonarista. A mensagem central da campanha é apresentar Ciro como uma candidatura estadual capaz de superar a polarização nacional. A estratégia, porém, já provocou reação no núcleo político de Lula. Benevides Filho deixou recentemente a função de vice-líder do governo no Congresso depois de assumir a coordenação do programa de Ciro. O movimento de Ciro ocorre em um cenário no qual Lula continua sendo um importante cabo eleitoral no Ceará. Segundo levantamento do Datafolha divulgado em agosto, 41% dos eleitores cearenses afirmaram que votariam com certeza em um candidato apoiado pelo presidente, enquanto 19% disseram que talvez votariam. Por outro lado, 38% afirmaram que não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado por Lula. Os números ajudam a explicar por que Ciro evita uma associação definitiva com qualquer candidatura presidencial. Ao mesmo tempo em que busca conquistar o eleitorado de direita, o tucano procura não perder votos entre os eleitores que aprovam Lula. Ciro lidera disputa pelo governo do Ceará A estratégia ocorre enquanto Ciro aparece na liderança das pesquisas estaduais. No Datafolha divulgado em agosto, o tucano registrou 52% das intenções de voto, contra 33% do governador Elmano de Freitas (PT-CE). Em um eventual segundo turno, Ciro também aparece à frente, com 55%, contra 37% de Elmano. Outros levantamentos também apontaram vantagem de Ciro, embora com diferenças importantes na dimensão da liderança. Pesquisa AtlasIntel mostrou o tucano com 49,3%, contra 44,6% de Elmano, enquanto levantamento da Quaest registrou 43% contra 33%. Cenários recentes para o governo do Ceará Pesquisa Ciro Gomes Elmano de Freitas Vantagem Datafolha 52% 33% 19 p.p. AtlasIntel 49,3% 44,6% 4,7 p.p. Quaest 43% 33% 10 p.p. Estratégia é evitar nacionalização da eleição A campanha de Ciro tenta, portanto, transformar sua vantagem estadual em uma candidatura capaz de conversar simultaneamente com diferentes segmentos do eleitorado. E após agradecer votos de lulistas, bolsonaristas e apoiadores de Ronaldo Caiado, o candidato procura construir uma imagem de independência em relação à eleição presidencial. Ciro tenta ocupar uma posição intermediária, buscando votos dos dois lados sem transformar a eleição para o governo cearense em um simples reflexo da disputa pelo Palácio do Planalto.
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