Correios negociam empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos estrangeiros e garantia da União
Os Correios avançam nas negociações para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, com garantia da União, em uma operação que deverá ser estruturada por um consórcio de bancos privados internacionais com atuação no Brasil. A expectativa é que a captação seja concluída ainda neste mês, representando uma nova etapa do plano de reestruturação financeira da estatal. Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, o financiamento será conduzido por quatro instituições financeiras, entre elas Bank of America (BofA), Citi e Deutsche Bank. A escolha marca uma mudança em relação ao empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no fim de 2025, quando participaram Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. Procurados, os bancos internacionais não comentaram a operação. A nova composição, formada majoritariamente por bancos estrangeiros, é vista por interlocutores do mercado como uma forma de ampliar a concorrência na captação e reduzir questionamentos sobre eventual concentração do financiamento em instituições públicas ou bancos nacionais. Prejuízo bilionário pressiona estatal A necessidade de reforço no caixa ocorre em meio ao agravamento da situação financeira dos Correios. A empresa encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e registrou perdas de R$ 3,16 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, resultado superior ao prejuízo de R$ 1,73 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior. Com isso, a estatal acumula 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. Em fevereiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou os Correios a contratar até R$ 8 bilhões em operações de crédito com garantia da União durante 2026. O limite integra o plano de financiamento de R$ 20 bilhões previsto para sustentar a reestruturação financeira da empresa. Condições devem seguir modelo anterior A expectativa é que o novo empréstimo mantenha condições semelhantes às da operação realizada em 2025, cuja remuneração ficou em torno de 115% do CDI, abaixo do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Tesouro Nacional para operações garantidas pela União. O contrato firmado anteriormente também prevê aportes mínimos da União até 2027 e metas vinculadas ao plano de reequilíbrio financeiro da estatal, cujo cumprimento continua sendo acompanhado pelo governo federal. TCU acompanha operação A situação financeira dos Correios também está sob acompanhamento do Tribunal de Contas da União (TCU). Conforme informações publicadas pelo Valor Econômico, técnicos da Corte avaliam que a análise do Tesouro Nacional para concessão da garantia deverá considerar não apenas a existência do plano de reestruturação, mas também a efetiva execução das medidas anunciadas e os resultados obtidos até o momento. Entre as iniciativas em estudo pela empresa estão novas parcerias comerciais, como o fornecimento de selos para produtos certificados pelo programa Inmetro na Palma da Mão, além da preparação de um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV). Algumas medidas previstas inicialmente foram suspensas após reação de trabalhadores e risco de greve.
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