Deputado italiano pede investigação sobre cidadania de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro
O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, pediu ao governo da Itália a abertura de uma investigação administrativa sobre o reconhecimento da cidadania italiana de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. O parlamentar questiona a rapidez dos procedimentos e cobra explicações dos ministérios das Relações Exteriores e do Interior sobre os critérios adotados na concessão dos documentos. A iniciativa ganhou força após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizar um passaporte italiano para entrar na Argentina e seguir viagem aos Estados Unidos, depois de deixar o Brasil. O senador havia tido os passaportes brasileiros cancelados por determinação judicial e não cumpriu a ordem de entrega dos documentos à Polícia Federal. Segundo informações obtidas pela agência RFI e reproduzidas pelo UOL, Flávio e Eduardo tiveram a cidadania reconhecida em 2023, enquanto Carlos recebeu o documento em 2024. Os pedidos foram apresentados com base no princípio do jus sanguinis, que permite o reconhecimento da nacionalidade por descendência. A família indicou como ascendente um bisavô de Jair Bolsonaro nascido na região do Vêneto, no norte da Itália. Rapidez dos processos é questionada Um dos principais pontos levantados por Bonelli é o tempo de conclusão dos pedidos. Segundo informações fornecidas anteriormente pelo governo italiano ao parlamentar, Flávio e Eduardo solicitaram o reconhecimento da cidadania na Embaixada da Itália em Brasília em 2020 e tiveram os processos concluídos em aproximadamente um ano. O deputado destaca que a espera por uma convocação consular no Brasil pode chegar a dez anos. O documento encaminhado ao governo italiano aponta que, quando os processos dos irmãos foram concluídos, em 2023, havia requerentes aguardando desde 2018. A interpelação também menciona que mais de 112 mil pedidos estavam pendentes em 2018. Bonelli solicita informações detalhadas sobre as datas, as etapas e os critérios utilizados nos processos dos três irmãos, além de dados sobre a fila de espera no período. “A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos”, afirmou o parlamentar à RFI. Casos de brasileiros na Justiça também são citados A interpelação menciona ainda brasileiros que possuem cidadania italiana e enfrentam processos judiciais no Brasil. Entre os exemplos está a ex-deputada Carla Zambelli, que foi condenada no país em dois processos e ficou presa em Roma por dez meses. O pedido de extradição relacionado à condenação pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça foi negado pelas autoridades italianas, enquanto outro pedido, referente ao caso de porte ilegal de arma, permanece em análise. O documento também cita Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, que vive na Itália e responde a processo no Supremo Tribunal Federal por acusações relacionadas à divulgação de mensagens sigilosas. No caso de Flávio, Bonelli menciona investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse. As referências fazem parte dos argumentos apresentados pelo deputado para cobrar esclarecimentos sobre a concessão da cidadania e seus possíveis desdobramentos. A resposta do governo italiano deverá ser apresentada oralmente em plenário, mas ainda não há data definida. Até o momento, o pedido de Bonelli representa uma solicitação de apuração administrativa, não uma decisão de cancelamento da cidadania dos irmãos Bolsonaro.
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