Diretor da JBS entra no radar de investigação sobre venda de sentenças no Piauí

O diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva, passou a figurar conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, no centro de uma investigação que apura um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Piauí. Relatórios financeiros incluídos no inquérito apontam que ele recebeu R$ 400 mil de um lobista investigado como operador do esquema, em repasses realizados ao longo de dois períodos distintos. Os valores, fracionados em três transferências, teriam partido de Juarez Chaves de Azevedo Júnior, apontado pela apuração como intermediário entre empresários, advogados e decisões judiciais. O caso tramita sob a supervisão do Superior Tribunal de Justiça e envolve suspeitas de corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Suposto trânsito em tribunais De acordo com as investigações, o diretor da JBS foi escolhido pelo lobista por ser considerado um advogado com amplo trânsito entre ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. A atuação incluiria visitas individuais a gabinetes e articulação de interesses em processos que tramitavam nos tribunais superiores. As movimentações financeiras chamaram a atenção por envolverem tanto a conta pessoal do lobista quanto o escritório particular do executivo, que, além de diretor jurídico da JBS, mantém atuação privada na advocacia. A investigação aponta que a natureza dos serviços prestados não foi devidamente esclarecida até o momento. Procurado, Francisco de Assis afirmou que os valores recebidos se referem a um parecer jurídico elaborado para colegas advogados, sem qualquer relação com suas funções na JBS. Segundo ele, o trabalho estaria protegido pelo sigilo profissional e os pagamentos foram devidamente declarados. Esquema no TJ-PI  O inquérito descreve um esquema estruturado de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Piauí, que teria movimentado ao menos R$ 21 milhões. Juarez é apontado como o elo entre interessados em decisões favoráveis e o desembargador José James Gomes Pereira. Segundo depoimentos colhidos pela Polícia Federal, a filha do magistrado, a advogada Lia Rachel, teria papel central na engrenagem. Ela orientaria assessores, definiria prioridades de julgamento, redigiria minutas de decisões e, em alguns casos, utilizaria o token do pai para assinatura digital no sistema do tribunal. Anotações manuscritas, dossiês e registros internos indicariam direcionamento explícito de decisões, incluindo concessões de liminares, aplicação de multas e paralisação deliberada de processos. Empresas beneficiadas pelas decisões teriam repassado valores elevados ao lobista. Afastamentos, buscas e prisão Diante dos indícios, o desembargador foi afastado do cargo por um ano, mantendo o direito ao salário. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências e gabinetes dos investigados, além da imposição de medidas cautelares que impedem contato entre os envolvidos. Até o momento, apenas um ex-assessor do magistrado foi preso. A decisão judicial apontou risco à ordem pública e indícios de fraude no sistema eletrônico do Judiciário. O caso foi remetido ao STJ após surgirem indícios de envolvimento de autoridade com foro privilegiado. Por meio de nota, a J&F, controladora da JBS, afirmou que o lobista investigado nunca prestou serviços ao grupo e que não comenta pagamentos relacionados a atividades advocatícias alheias à empresa. Sobre a atuação privada de seu diretor jurídico, a companhia preferiu não se manifestar. Braço direito dos irmãos Joesley e Wesley Batista, Francisco de Assis e Silva é figura conhecida nos bastidores do poder jurídico e político. Foi um dos protagonistas da delação premiada do grupo em 2017 e teve papel central na renegociação do acordo de leniência que livrou o conglomerado de multas bilionárias.
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