Empresários recorrem a Alcolumbre para tentar frear fim da escala 6×1 no Senado
A articulação para acelerar o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional já provoca reação do setor produtivo. Empresários de diferentes segmentos econômicos decidiram recorrer ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na tentativa de barrar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. O movimento ganhou força após o acordo firmado entre o presidente Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que definiu um cronograma acelerado para implementação das novas regras trabalhistas. Nesta terça-feira, representantes empresariais liderados pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, terão reunião com Alcolumbre para discutir os impactos da PEC sobre a economia, a indústria e o mercado de trabalho. O texto relatado pelo deputado Leo Prates prevê que a redução da jornada aconteça em duas etapas, dentro de um período de transição de 14 meses. As primeiras duas horas seriam retiradas da jornada 60 dias após a promulgação da proposta. As outras duas horas seriam implementadas um ano depois. A proposta também estabelece o fim da escala 6×1, garantindo ao trabalhador pelo menos dois dias de folga semanal, preferencialmente aos domingos. Nos bastidores de Brasília, empresários afirmam que foram surpreendidos pela velocidade das negociações entre Palácio do Planalto e Câmara dos Deputados. O setor produtivo defende uma transição mais longa para adaptação das empresas às novas exigências trabalhistas. Além da preocupação com aumento de custos operacionais, representantes empresariais alertam para possíveis impactos sobre produtividade, competitividade e geração de empregos, especialmente em setores com grande demanda de mão de obra. O relatório de Leo Prates (Republicanos-BA) ainda prevê que convenções coletivas poderão permitir jornadas superiores a oito horas diárias durante o período de transição, desde que respeitado o limite semanal de 42 horas nesse intervalo inicial. A expectativa da Câmara é votar o parecer ainda nesta semana na comissão especial e no plenário. Caso seja aprovado pelos deputados, o texto seguirá para análise do Senado, onde lideranças empresariais apostam na atuação de Davi Alcolumbre para ampliar o debate e desacelerar a tramitação da proposta. Nos corredores do Congresso, interlocutores avaliam que o Senado poderá se tornar o principal campo de disputa entre governo, centrais sindicais e representantes do setor produtivo sobre as novas regras da jornada de trabalho no Brasil.
Fonte: Clique aqui




