Empresas estrangeiras estudam instalar fábricas de terras raras na Bahia e reforçam interesse por processamento mineral
A Bahia voltou ao centro das discussões sobre minerais estratégicos após duas empresas estrangeiras avançarem em estudos para implantar unidades de processamento de terras raras no estado. A norte-americana Tronox e a australiana Brazilian Rare Earths (BRE) avaliam projetos voltados à agregação de valor dos minerais, movimento considerado estratégico para fortalecer a cadeia produtiva brasileira e reduzir a dependência da tecnologia concentrada na China. Segundo informações no Valor Econômico, a Tronox manteve negociações com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) para uma possível parceria destinada à exploração e ao processamento de terras raras na Bahia. As conversas tiveram início em março deste ano e incluíram a discussão de um memorando de entendimento não vinculante, mas perderam ritmo diante das incertezas provocadas pelo cenário diplomático entre Brasil e Estados Unidos. A proposta previa uma sociedade entre a CBPM e a empresa norte-americana para viabilizar a transferência de tecnologia destinada à extração e ao processamento de terras raras. A companhia estadual é titular de mais de 60 áreas com ocorrências desses minerais estratégicos, considerados essenciais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, chips, sistemas de defesa e tecnologias de energia limpa. A Tronox já possui forte presença industrial no Brasil, com operações em Mataraca, na Paraíba, e em Camaçari, na Bahia. Listada na Bolsa de Nova York, a empresa se apresenta como a maior produtora mundial de dióxido de titânio e busca ampliar sua atuação para o segmento de terras raras. Em 2025, a companhia também discutiu com a CBPM alternativas para ampliar sua atuação no estado. Outro fator que influencia os planos da empresa é a análise, pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom), sobre a manutenção das medidas antidumping aplicadas às importações chinesas de dióxido de titânio. Uma eventual mudança nas regras poderá afetar a competitividade da companhia em seu principal mercado no país, o que pode explicar a cautela na expansão para novos investimentos. Enquanto isso, a australiana Brazilian Rare Earths (BRE) também avança em seu projeto no Recôncavo Sul da Bahia. A empresa firmou parceria tecnológica com a francesa Carester, especializada em separação e refino de terras raras, com o objetivo de desenvolver uma futura planta industrial de processamento no estado. A estratégia é agregar valor ao minério ainda em território brasileiro, ampliando a participação nacional nas etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva. O processamento de terras raras é considerado o maior desafio tecnológico da indústria mineral. Embora o Brasil possua reservas expressivas desses elementos, a etapa de separação química e refino permanece concentrada majoritariamente na China, que domina o mercado global. Por isso, a instalação de plantas industriais na Bahia é vista como um passo importante para fortalecer a indústria nacional e ampliar a competitividade do país no setor. Procurada sobre o assunto, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral negou a existência de negociações em andamento com a Tronox. No entanto, reafirmou que trabalha para atrair investimentos que promovam a transferência de tecnologia, a verticalização da produção e a agregação de valor aos minerais estratégicos produzidos na Bahia. A movimentação ocorre em um momento de crescente interesse internacional pelas terras raras brasileiras. O governo federal também tem defendido a ampliação da capacidade nacional de processamento desses minerais, considerados estratégicos para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia, reduzindo a exportação de matéria-prima sem beneficiamento e incentivando a instalação de novas indústrias no país.
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