Escândalo do Banco Master explode e Planalto tenta inverter foco com doações a Bolsonaro e Tarcísio
Com o escândalo envolvendo o Banco Master ganhando espaço na imprensa e pressionando o Palácio do Planalto, o governo do presidente Lula da Silva (PT) passou a atuar de forma coordenada para tentar inverter o foco da crise e afastar o desgaste político da gestão petista. A estratégia definida pelo núcleo do governo é clara, evitar uma postura defensiva e transferir o peso do escândalo para a oposição, associando o entorno do banco a doações milionárias feitas às campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ordem do Planalto é reagir e mudar a narrativa A condução da ofensiva partiu da Secretaria de Comunicação Social. A orientação interna é destacar que as investigações sobre as irregularidades do Banco Master foram abertas durante o governo Lula, numa tentativa de apresentar a gestão petista como parte da solução, não do problema. A linha de ação repete o método adotado em crises anteriores, como no caso do desvio de recursos de aposentadorias do INSS, quando o Planalto buscou enfatizar medidas corretivas após a repercussão negativa. Gleisi joga pressão sobre adversários Coube à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, dar o tom público da estratégia. Em declarações, ela afirmou que cabe à oposição explicar a relação de seus principais nomes com empresários ligados ao Banco Master. Segundo Gleisi, o empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco, foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022. A ministra cobrou esclarecimentos diretos dos adversários políticos do PT. Ao mesmo tempo, evitou comentar relações envolvendo ex-sócios de Vorcaro e lideranças petistas da Bahia, reagindo com questionamentos e pedindo provas. Haddad reforça discurso e amplia o ataque O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou a ofensiva ao afirmar que o grupo ligado a Vorcaro foi um dos principais financiadores das campanhas da direita em 2022. Haddad disputou o governo paulista naquele ano justamente contra Tarcísio de Freitas. Dados do financiamento eleitoral mostram que Fabiano Zettel destinou R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro e outros R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio, valores agora usados pelo governo como peça central na tentativa de deslocar o foco do escândalo. Nos bastidores, a movimentação do Planalto é vista como uma reação direta ao avanço do noticiário negativo envolvendo o Banco Master e seus vínculos políticos. A avaliação interna é de que, sem uma contraofensiva, o caso poderia contaminar o ambiente político e atingir diretamente o projeto de reeleição de Lula.
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