Flávio Bolsonaro pede renúncia de Moraes após novas revelações sobre Vorcaro

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta terça-feira (1º) a renúncia do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após novas informações sobre a relação do magistrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em declaração a jornalistas no Senado, Flávio afirmou que Moraes não teria mais condições de permanecer na Corte caso sejam confirmadas as suspeitas levantadas pelas investigações. A manifestação ocorreu após a divulgação de informações sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e o Banco Master. “Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição dele continuar sendo ministro”, afirmou o senador. Contrato milionário está no centro da crise A reação de Flávio ocorreu após reportagem do Estado de S. Paulo apontar, com base em dados analisados pela Polícia Federal, que os metadados de uma versão do contrato registraram uma edição atribuída a um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório de Viviane confirmou que Moraes foi consultado antes da contratação. Segundo a banca, a consulta ocorreu para verificar possíveis impedimentos legais, especialmente diante da abrangência do acordo. A defesa sustenta que não havia previsão de atuação perante o STF e que o ministro jamais julgou causa envolvendo o Banco Master. O contrato previa pagamentos milionários ao escritório durante 36 meses. O caso passou a ser analisado juntamente com outros elementos encontrados pela PF no celular de Vorcaro. Mensagens de Vorcaro também são alvo de investigação Além do contrato, Flávio citou mensagens que, segundo a Polícia Federal, foram enviadas por Vorcaro a Moraes durante o período em que o Banco Master era alvo de investigações. De acordo com os investigadores, o banqueiro teria procurado o ministro para tratar de possíveis medidas contra a instituição e chegou a questionar se deveria deixar o país antes de sua prisão. A PF concluiu que Moraes seria o destinatário de parte das mensagens analisadas. O relatório também registra referências a “Andrei” e “Paulo”, que os investigadores identificaram como Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. Flávio afirmou que, além de Moraes, os responsáveis pela PF e pela PGR também precisam prestar esclarecimentos sobre os elementos que aparecem na investigação. Mendonça retirou sigilo do inquérito As declarações do candidato ocorreram no mesmo dia em que o ministro André Mendonça retirou o sigilo do inquérito relacionado às relações entre Vorcaro e Moraes. Mendonça também determinou que a questão seja submetida ao plenário do STF, em sessão presencial e pública, cuja data ainda será definida pelo presidente da Corte, Edson Fachin. O ministro apontou que a investigação reúne indícios de que Vorcaro teria construído uma rede de monitoramento e influência em diferentes instituições, com acesso antecipado a informações de investigações e procedimentos em andamento. Flávio também cobra PGR e Polícia Federal Na avaliação do candidato, as novas informações ultrapassam a relação pessoal ou profissional entre o banqueiro e o ministro do STF e atingem diretamente a credibilidade das instituições responsáveis pela investigação. “São muitas acusações graves e eu espero, de verdade, que ele esclareça”, afirmou Flávio, segundo o R7. O senador acrescentou que, caso as suspeitas sejam confirmadas, Moraes não teria condições de continuar no cargo. O episódio ocorre em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master e à análise, por Mendonça, de mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal. Flávio evita explicar novos repasses ligados a filme Durante a mesma agenda, Flávio foi questionado sobre novos repasses de Vorcaro relacionados ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador afirmou que os detalhes dos pagamentos devem ser esclarecidos pela produtora responsável pela obra. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, um novo repasse de US$ 1,6 milhão teria sido feito por Vorcaro ao fundo ligado à produção. Flávio disse não saber explicar a transferência e atribuiu à produtora a responsabilidade pelos esclarecimentos. Apesar da escalada política, as informações reunidas até agora ainda são objeto de investigação. A existência de mensagens, contratos e registros financeiros não comprova, isoladamente, que Moraes tenha cometido crime ou interferido ilegalmente em investigações. O esclarecimento dos fatos dependerá da análise da Polícia Federal, da PGR e do plenário do Supremo.
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