Inema aplica multas milionárias após contaminação na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) aplicou multas que somam R$ 70 milhões a empresas envolvidas na operação do Terminal Itapuã, após a confirmação de contaminação ambiental na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador. A área afetada, localizada no subúrbio ferroviário da capital baiana, apresenta desde fevereiro manchas azuis e amarelas na areia e na água do mar, cenário que se agravou com a confirmação, em maio, da presença de substâncias químicas nocivas. Segundo o órgão ambiental, foram autuadas a Empresa Terminal Itapuã Ltda, atualmente operada pela Intermarítima, com multa de R$ 20 milhões, e a Gerdau Aços Longos S.A., antiga gestora do terminal, com penalidade de R$ 50 milhões. Ambas terão prazo de 20 dias para apresentar defesa administrativa. O Inema aponta que a contaminação está relacionada às atividades de estocagem e movimentação de granéis sólidos no terminal marítimo. A investigação também identificou estoque remanescente de ureia no local, além de indícios de contribuição de diferentes fases de operação do terminal para o cenário ambiental. As análises laboratoriais realizadas entre março e abril identificaram concentrações elevadas de compostos nitrogenados e metais, com destaque para cobre, em pontos próximos ao foco da contaminação. A ampliação da investigação confirmou a presença de poluentes no sedimento, na água intersticial e na biota marinha, incluindo siris e moluscos. Além disso, foram registrados níveis elevados de nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal, substâncias que, segundo especialistas, representam risco à saúde da população, podendo causar irritações cutâneas e problemas gastrointestinais. Manchas azuis e amarelas seguem na praia de São Tomé de Paripe. — Foto: Arquivo pessoal Diante da situação, a prefeitura de Salvador decretou emergência ambiental na região, permitindo mobilização de órgãos públicos e abertura de caminho para solicitação de recursos federais para recuperação da área e apoio às comunidades afetadas. A contaminação também impactou diretamente a economia local, especialmente pescadores e marisqueiras, que foram impedidos de atuar na região por risco à saúde. Representantes da categoria relatam perda de renda e busca por alternativas de sobrevivência fora da atividade tradicional. Em nota, a Gerdau afirmou que não é mais responsável pela licença ambiental do terminal desde 2022 e que apresentará defesa com base em laudos técnicos. Já a Intermarítima sustenta que não movimenta cargas relacionadas às substâncias encontradas, e que irá se posicionar formalmente dentro do prazo legal.
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