Investigados no caso Banco Master reforçam defesa e negam irregularidades após avanço das apurações

As investigações relacionadas ao Banco Master continuam repercutindo no meio político e têm provocado uma estratégia semelhante de defesa entre autoridades citadas pela Polícia Federal. Entre os investigados, parlamentares negam irregularidades, afirmam que as relações com empresários ocorreram dentro da legalidade e sustentam que não existiu qualquer contrapartida em troca de benefícios recebidos. Um dos principais nomes citados nas apurações é o senador Jaques Wagner (PT). Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-governador da Bahia criticou a operação da Polícia Federal e classificou a investigação como uma “patacoada”, afirmando que há uma tentativa de criminalizar relações pessoais. Segundo a investigação, Wagner utilizou caronas em aeronaves de Augusto Lima, sócio do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A PF também aponta que o senador solicitou ao empresário a compra de um apartamento de aproximadamente R$ 2,5 milhões destinado à sua filha. Em sua defesa, Wagner afirmou que pretendia ressarcir o valor e negou qualquer irregularidade na relação. O parlamentar também confirmou ter pedido auxílio para conseguir ingressos destinados à neta assistir a um show da cantora Taylor Swift nos Estados Unidos. Conforme a investigação, os bilhetes adquiridos em área VIP custaram cerca de R$ 63 mil. O senador voltou a afirmar que o episódio não configura favorecimento ilícito. Outro citado nas apurações é o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Conforme documentos da investigação, ele utilizou aeronave de Daniel Vorcaro para viajar a Portugal, onde participou de evento promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. A Polícia Federal também aponta hospedagem em hotel de luxo durante a viagem e a existência de pedido relacionado a um financiamento destinado à empresa de uma familiar. Ao comentar o caso, Hugo Motta declarou à CNN Brasil que não vê irregularidade nas viagens ou na relação com o empresário e afirmou que nunca recebeu qualquer solicitação em troca dos benefícios mencionados nas investigações. Sobre o financiamento, sustentou que a operação ocorreu dentro da legalidade. As investigações também alcançam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo a Polícia Federal, ele teria solicitado R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro para financiar a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar negou qualquer ilegalidade e afirmou publicamente que o pedido não representou prática irregular. Outro nome mencionado é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também aparece relacionado a viagens e encontros promovidos por Daniel Vorcaro. Por meio de sua assessoria, o parlamentar declarou anteriormente que nunca manteve qualquer conduta inadequada. As manifestações públicas dos investigados seguem uma linha semelhante, baseada na negativa de favorecimento ilícito, na defesa da legalidade das relações pessoais e empresariais e em críticas à atuação da Polícia Federal. Em alguns casos, parlamentares também acusam os investigadores de promoverem exposição pública excessiva durante as operações.
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