Jerônimo culpa Bolsonaro por enxurrada de empréstimos e tenta justificar rombo bilionário na Bahia

Em uma declaração que soou irônica para críticos e aliados, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), decidiu apontar o dedo para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao tentar explicar a quantidade de empréstimos solicitados por sua gestão nos últimos três anos. Em entrevista ao jornal Band News,nesta segunda-feira (29), o petista responsabilizou o governo federal anterior pelo endividamento acelerado do Estado. Segundo Jerônimo, a Bahia teria sido “penalizada” durante os quatro anos do governo Bolsonaro, período em que, segundo ele, nenhum empréstimo teria sido liberado para o Estado. A solução encontrada agora, afirmou, foi recorrer a financiamentos bilionários como forma de compensação. Até o momento, os pedidos já somam cerca de R$ 26 bilhões. “Nós ficamos quatro anos com o governo do Bolsonaro sem liberar um empréstimo, a Bahia foi penalizada. Parte desses empréstimos é uma compensação do que nós não tivemos”, afirmou o governador. Narrativa de vitimização O discurso chama atenção pelo paradoxo. Ao mesmo tempo em que justifica o endividamento como herança de um suposto bloqueio federal, Jerônimo admitiu que boa parte dos recursos sequer foi utilizada. Segundo ele, menos de um terço do montante aprovado foi efetivamente gasto até agora. Ainda assim, o governador sustenta que os empréstimos seriam necessários para garantir investimentos futuros, apesar de afirmar que o Estado vive uma situação financeira confortável. “A Bahia tem uma saúde financeira boa”, disse, numa declaração que ampliou as críticas sobre a coerência do argumento. Rui Costa e o recurso à Justiça Jerônimo também trouxe para o debate o ex-governador Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil. Segundo ele, Rui não conseguiu aprovar empréstimos na Assembleia Legislativa da Bahia e precisou recorrer ao Judiciário para buscar recursos. O governador voltou a acusar Bolsonaro de não repassar verbas federais ao Estado, afirmando que os únicos recursos enviados ocorreram durante a pandemia, e ainda assim por obrigação legal. “Não veio um recurso para saúde, que é uma obrigação do SUS”, declarou. Discurso não fecha a conta Apesar da tentativa de transferir a responsabilidade, a fala do governador expõe um discurso contraditório: Jerônimo atribui o endividamento recorde à falta de apoio federal no passado, mas admite que o dinheiro ainda está em caixa e que o Estado lidera investimentos com recursos próprios. Para críticos, a narrativa soa como tentativa de terceirizar responsabilidades e preparar o terreno para justificar um volume histórico de empréstimos, enquanto a população baiana segue sem clareza sobre quando e como esses bilhões serão efetivamente aplicados.
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