‘Faz o L’? Entenda por que o nome da Operação Elli gerou reação no entorno de Lula

O nome “Operação Elli”, escolhido pela Polícia Federal para uma fase da investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, provocou incômodo entre aliados do presidente Lula da Silva (PT). A interpretação de integrantes do entorno do governo é de que a denominação poderia fazer referência indireta ao gesto e à expressão “Faz o L”, associados às campanhas eleitorais do presidente. A associação, porém, não foi confirmada publicamente pela Polícia Federal. Segundo informações divulgadas pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, a explicação apresentada dentro da corporação é outra, relacionada à mitologia nórdica. Por que o nome provocou polêmica A fase da investigação batizada de Elli resultou na quebra dos sigilos de Lulinha e da empresária e lobista Roberta Luchsinger, no contexto de apurações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro. A semelhança sonora entre “Elli” e a letra “L” foi suficiente para provocar questionamentos políticos em Brasília, especialmente porque a investigação envolve o filho do presidente em um ano eleitoral. O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que pretende pedir explicações à Polícia Federal sobre os critérios utilizados para escolher o nome da operação. Segundo ele, caso não exista uma justificativa objetiva, a denominação poderia ser interpretada como uma provocação. Qual é a explicação para “Elli” De acordo com a explicação atribuída à cúpula da Polícia Federal, Elli é uma personagem da mitologia nórdica associada à velhice. Na narrativa, ela enfrenta o deus Thor e consegue derrotá-lo justamente por representar a força inevitável da idade. A referência mitológica faria parte de uma prática já utilizada pela própria Polícia Federal para batizar investigações. Ao longo dos anos, operações receberam nomes inspirados em personagens e elementos da mitologia nórdica e grega. Entre os exemplos estão denominações como Loki, Hoder, Nibelungo, Aegir e Njörd, além de Hidra de Lerna, Poseidon, Hefesto e Têmis. Por isso, a explicação mitológica é apresentada como uma alternativa à interpretação política feita por aliados do presidente. Defesa de Lulinha questiona escolha A defesa de Lulinha considera que o momento político torna a escolha especialmente sensível. Em declaração divulgada pelo Metrópoles, Marco Aurélio de Carvalho afirmou que pretende cobrar formalmente esclarecimentos sobre a origem da denominação. O advogado classificou como possível perseguição uma eventual escolha deliberada do nome com finalidade política. A defesa também questiona a condução da investigação e sustenta que não existem elementos conclusivos que comprovem irregularidades por parte de Lulinha. Até o momento, não há confirmação pública de que a Polícia Federal tenha escolhido “Elli” como referência ao slogan político “Faz o L”. A associação permanece como uma interpretação feita por integrantes do entorno presidencial. Investigação tem origem no caso do INSS A Operação Elli surgiu a partir da análise de elementos obtidos em fases anteriores da investigação relacionada à chamada Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo informações divulgadas sobre o caso, os investigadores identificaram indícios que levaram à ampliação da apuração para possíveis crimes financeiros envolvendo pessoas ligadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e outros investigados. A etapa que recebeu o nome Elli tem foco específico em suspeitas de lavagem de dinheiro, conforme documentos citados pela imprensa. PF costuma usar nomes de mitologias A escolha de nomes de operações policiais não é necessariamente relacionada ao alvo investigado. A Polícia Federal utiliza há anos referências históricas, culturais, geográficas e mitológicas para identificar suas ações. Nesse contexto, a explicação relacionada à mitologia nórdica para “Elli” segue uma prática já observada em outras operações. O que tornou o episódio politicamente sensível foi a coincidência com a expressão “Faz o L”, especialmente às vésperas das eleições de 2026. Assim, enquanto aliados de Lula enxergam uma possível provocação na denominação, a versão atribuída à Polícia Federal aponta para uma referência mitológica. Até agora, não foi apresentada evidência pública que comprove uma intenção política na escolha do nome. Mas se foi, foram inteligentes.
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