“Não aceito a ideia de que facções criminosas são terroristas”
O presidente Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (18) a decisão do governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Durante agenda no Rio de Janeiro voltada ao combate ao crime organizado, Lula defendeu uma atuação integrada das forças de segurança e reforço no policiamento das fronteiras. Ao comentar a posição americana, Lula também fez uma referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que ele seria “terrorista” por, segundo o presidente, ter participado de uma tentativa de ataque contra ele e o ministro Alexandre de Moraes. A declaração ocorreu durante a discussão sobre a classificação de grupos criminosos como terroristas. Lula afirmou que facções criminosas produzem uma situação de terror nas periferias, mas contestou o enquadramento defendido pelo governo Trump. Para o presidente, o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer com fortalecimento das instituições brasileiras e sem abrir mão do controle nacional sobre áreas estratégicas. Fronteiras e soberania Durante o evento, Lula relacionou o policiamento das fronteiras à proteção de recursos naturais brasileiros. Citou as reservas de petróleo da Margem Equatorial e do pré-sal e afirmou que o país precisa proteger suas riquezas diante do interesse internacional por petróleo e minerais críticos. O presidente acompanhou as chamadas Ações Integradas para o Enfrentamento ao Crime Organizado no Rio de Janeiro, iniciativa que reúne órgãos federais, governo estadual e prefeitura. Na quinta-feira, o Ministério da Justiça informou que União e governo fluminense avançaram na elaboração de planos operacionais integrados para atuar em corredores logísticos considerados estratégicos. Presídios de segurança máxima Outra medida anunciada envolve o sistema penitenciário. Lula afirmou que 138 unidades prisionais deverão adotar padrões de segurança máxima, com mudanças na gestão e maior controle sobre a comunicação de presos ligados a organizações criminosas. A proposta já integra o programa federal de enfrentamento ao crime organizado, que prevê a adoção de padrões de segurança máxima nas 138 unidades consideradas mais sensíveis. O presidente também defendeu critérios mais rígidos para o acesso de advogados aos estabelecimentos prisionais e afirmou que as cadeias não podem ser utilizadas para a manutenção do comando de organizações criminosas.
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