Lula e Alcolumbre se reencontram no TSE após derrota histórica do Planalto no Senado
O presidente Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), voltaram a aparecer publicamente lado a lado nesta terça-feira (12), durante a cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O encontro ocorre semanas após a derrota considerada histórica para o Palácio do Planalto no Senado Federal, com a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal no fim de abril. Durante a solenidade, Lula e Alcolumbre permaneceram sentados lado a lado na mesa principal de autoridades, em um ambiente acompanhado por representantes dos Três Poderes e lideranças políticas nacionais. Nos bastidores de Brasília, aliados do presidente atribuem ao chefe do Senado a articulação que teria levado à derrota de Messias. O entorno de Lula sustenta que Alcolumbre ficou insatisfeito desde o início com a escolha do advogado-geral da União para a vaga no Supremo, já que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), apontado como um de seus principais aliados políticos. Publicamente, Alcolumbre nega qualquer atuação para derrubar a indicação do governo. Apesar disso, senadores relataram que o presidente da Casa teria telefonado para parlamentares pedindo votos contrários ao nome de Jorge Messias durante a sabatina. Antes da divulgação oficial do placar, uma conversa entre Alcolumbre e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), acabou captada pela transmissão da sessão. Na ocasião, o presidente do Senado teria antecipado que o candidato do Planalto seria derrotado. O clima político entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado segue sendo tratado com cautela por integrantes do governo federal. Mais cedo nesta terça-feira, Alcolumbre não compareceu ao lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, realizado no Palácio do Planalto, mesmo tendo sido convidado oficialmente. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), participou normalmente do evento ao lado de Lula, em um movimento interpretado por governistas como aproximação política entre o Executivo e a Câmara dos Deputados. Nos bastidores, aliados do presidente avaliam que Hugo Motta tem ampliado os gestos ao governo federal e busca apoio do Planalto para fortalecer o projeto político de seu pai, Nabor Wanderley, em disputa por uma vaga ao Senado. Após a rejeição do nome de Jorge Messias ao STF, ministros e auxiliares de Lula passaram a discutir qual estratégia deveria ser adotada na relação com Alcolumbre. Parte da base defendia endurecimento político e revisão de cargos indicados pelo senador no governo federal. Outro grupo, porém, avaliou que ampliar o conflito poderia comprometer votações prioritárias do Executivo no Congresso Nacional. Na semana passada, ministros do governo fizeram movimentos de reaproximação com o presidente do Senado. José Múcio Monteiro e José Guimarães participaram de reunião reservada com Alcolumbre, em uma tentativa de reconstruir o diálogo político. Segundo José Múcio, o momento exige redução da tensão institucional e busca por entendimento entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado Federal.
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