Lula e Alexandre de Moraes entram em nova fase na relação

O presidente Lula da Silva (PT) sinaliza a aliados que pretende mudar a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) durante seu quarto mandato, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes. Após a reeleição, o petista tem demonstrado a intenção de reduzir a proximidade com integrantes da Corte e adotar uma postura mais institucional no relacionamento com os magistrados. A mudança de postura ocorre depois que a crise envolvendo o Supremo, especialmente a divulgação de mensagens atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, provocou desgaste político durante a campanha presidencial. O episódio atingiu tanto a imagem do ministro quanto a do presidente, que foi alvo de críticas de Flávio Bolsonaro e de outros integrantes da oposição por sua proximidade com o magistrado. Nos bastidores, a avaliação de integrantes do governo é que a associação entre o Planalto e Moraes acabou se tornando um problema político, levando aliados a defenderem maior distanciamento entre o presidente e o Supremo. A intenção seria evitar que futuras controvérsias envolvendo ministros da Corte sejam diretamente associadas ao governo. O próprio ambiente do STF, porém, não demonstra disposição para aceitar um afastamento definitivo. Segundo relatos de bastidores, ministros da Corte pretendem trabalhar pela reaproximação entre Lula e Moraes. A avaliação é que o diálogo reservado entre o presidente e integrantes do tribunal deverá ser retomado, principalmente porque decisões importantes para o governo dependem do Supremo. Indicação ao STF amplia disputa política Outro assunto que deverá influenciar a relação entre o Planalto e o Judiciário é a escolha do próximo ministro do Supremo para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou em 2025. Lula já havia indicado o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas seu nome foi rejeitado pelo Senado em abril de 2026. Mesmo assim, uma ala do entorno presidencial defende que o presidente tente novamente emplacar o aliado. Outra corrente considera Rodrigo Pacheco (PSD-MG) uma alternativa politicamente mais viável, especialmente diante das articulações com o Senado e do apoio que o ex-presidente da Casa possui entre parlamentares e integrantes do Supremo.
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