Lula reage a Trump após decisão sobre PCC e CV: “Brasil não é republiqueta”
O presidente Lula da Silva (PT) reagiu nesta sexta-feira (29) ao anúncio do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. Durante evento da Petrobras em Sergipe, Lula criticou a postura da gestão do presidente Donald Trump e afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas em assuntos internos. “Nós não aceitamos ser tratados como moleque. Nós não aceitamos ser tratados como se fosse uma republiqueta”, declarou o presidente diante de apoiadores e autoridades presentes no evento. A decisão anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA prevê a inclusão das facções brasileiras nas listas de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs), mecanismo utilizado pelo governo norte-americano para ampliar sanções financeiras, bloqueio de ativos e ações de cooperação internacional contra grupos considerados ameaças à segurança. Durante o discurso, Lula também elevou o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, que esteve nesta semana nos Estados Unidos em reuniões com integrantes do governo americano e com o presidente Donald Trump. Sem citar diretamente detalhes das reuniões, o presidente acusou o parlamentar de agir contra os interesses nacionais ao defender medidas externas relacionadas ao combate às facções criminosas brasileiras. “Possivelmente ele estivesse preparado para ajudar o filho de um bolsonarista, candidato à eleição neste país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou Lula, ao mencionar o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O presidente também relembrou encontro recente que teve com Donald Trump e destacou que Rubio não participou da reunião diplomática realizada há cerca de três semanas. A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão política e diplomática envolvendo a decisão americana. O governo federal sustenta que PCC e CV são organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas e ao crime organizado, mas sem motivação ideológica ou política, característica normalmente associada ao conceito internacional de terrorismo. Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares avaliam os possíveis impactos econômicos, jurídicos e diplomáticos da medida dos EUA. Integrantes do governo demonstram preocupação com o risco de sanções financeiras, restrições comerciais e aumento da pressão internacional sobre empresas e instituições brasileiras eventualmente investigadas por ligação com organizações criminosas. Aliados de Lula também enxergam a ofensiva americana como um tema que pode influenciar diretamente o ambiente político brasileiro e o debate eleitoral de 2026, especialmente após a aproximação entre integrantes do bolsonarismo e setores ligados ao governo Trump. A medida dos Estados Unidos deve entrar oficialmente em vigor no próximo dia 5 de junho.
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