eleições desta terça-feira podem mudar o controle do Congresso e enfraquecer Trump

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os novos integrantes do Congresso nas eleições de meio de mandato, conhecidas como Midterms. A votação poderá alterar o equilíbrio de forças em Washington, definir o controle da Câmara dos Representantes e do Senado e influenciar diretamente a capacidade do presidente Donald Trump de implementar sua agenda política até 2029. As eleições acontecem dois anos depois da disputa presidencial e, embora o nome do presidente não apareça nas cédulas, tradicionalmente funcionam como uma avaliação do desempenho do governo. Neste ano, os republicanos tentam preservar a maioria nas duas casas legislativas, enquanto os democratas buscam recuperar espaço e ampliar a fiscalização sobre a administração Trump. Estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, sendo 33 eleições regulares e duas especiais. Também haverá disputas para governador em 36 estados, além da renovação de cargos nos legislativos estaduais.  Como funcionam as eleições de meio de mandato As Midterms recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial, que nos Estados Unidos dura quatro anos. A votação ocorre a cada dois anos e determina a composição do Congresso, responsável por aprovar leis, fiscalizar o Executivo e deliberar sobre o orçamento federal. Na Câmara dos Representantes, todos os 435 deputados são eleitos a cada dois anos. Cada parlamentar representa um distrito eleitoral, e a distribuição das cadeiras entre os estados considera o tamanho de suas populações. No Senado, cada estado possui dois representantes, independentemente do número de habitantes. Os senadores cumprem mandatos de seis anos, mas as eleições são organizadas de maneira escalonada, com aproximadamente um terço das vagas submetidas à votação a cada dois anos. A diferença entre as duas casas também influencia a disputa pelo poder. Enquanto a Câmara tem papel central na elaboração de propostas orçamentárias e tributárias, o Senado participa da confirmação de indicações presidenciais para cargos importantes e julga processos de impeachment. Como está dividido o Congresso americano Os republicanos chegam à votação com maioria nas duas casas. Na Câmara, possuem 218 deputados, contra 214 democratas, além de um parlamentar independente e duas vagas atualmente desocupadas. Para conquistar o controle da Câmara, os democratas precisam obter um saldo positivo de quatro cadeiras, segundo levantamento da Reuters.  No Senado, os republicanos possuem 53 representantes, enquanto os democratas contam com 45 senadores e dois independentes que atuam em conjunto com a oposição. Nesse cenário, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras líquidas para alcançar a maioria. Uma eventual divisão de 50 votos para cada lado também favoreceria os republicanos, já que o vice-presidente J.D. Vance tem autoridade constitucional para desempatar votações. Campanha é marcada por economia e popularidade de Trump A campanha eleitoral foi marcada pelo debate sobre o custo de vida, a inflação, as políticas migratórias e as acusações de corrupção envolvendo integrantes do governo. Trump percorreu diferentes regiões do país para participar de eventos e pedir votos para os candidatos republicanos. Entretanto, sua popularidade representa um desafio para a estratégia do partido. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em setembro apontou aprovação de 32% para o presidente, um dos menores índices de seu atual mandato. O levantamento também identificou preocupação dos eleitores com a elevação dos preços e a situação econômica do país.  Os democratas tentam transformar a insatisfação econômica em votos, associando as dificuldades financeiras das famílias às decisões da administração republicana. Já os aliados de Trump defendem a continuidade de sua agenda econômica, tributária e migratória. O que muda se os democratas conquistarem maioria A conquista de apenas uma das casas legislativas já seria suficiente para dificultar a aprovação de projetos defendidos pelo presidente. Caso assumam o controle da Câmara, os democratas poderão comandar as principais comissões, convocar autoridades, abrir investigações e ampliar a fiscalização sobre o Executivo. Se também conquistarem o Senado, terão maior influência sobre a tramitação de propostas e decisões que dependem da aprovação dos parlamentares. A experiência mais recente ocorreu em 2018, durante o primeiro governo Trump. Naquele ano, os democratas conquistaram 40 cadeiras líquidas na Câmara dos Representantes, assumiram o controle da Casa e intensificaram as investigações sobre a administração republicana.  Uma eventual vitória republicana, por outro lado, garantiria a continuidade do controle legislativo e ofereceria condições mais favoráveis para Trump avançar com sua agenda. O resultado das Midterms será decisivo para determinar o grau de sustentação política do presidente no Congresso e estabelecer os limites de sua atuação nos dois últimos anos de governo.
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