Milei insinua que Lula pode tentar fraudar eleição, e Itamaraty reage
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) nesta terça-feira (20) e insinuou, sem apresentar provas, que o brasileiro poderia tentar fraudar o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). As declarações provocaram reação do Itamaraty, que classificou as manifestações como uma “inaceitável tentativa de ingerência externa” no processo democrático brasileiro. Em publicação na rede social X, Milei afirmou esperar que a campanha de Lula não recorresse a um suposto expediente para “roubar a eleição”. O argentino também chamou o presidente brasileiro de “esquerdista ladrão” e fez críticas a declarações de Lula sobre machismo. Milei apoia publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente brasileiro no segundo turno. Em julho, o líder argentino esteve no Brasil para participar do evento de lançamento da candidatura do senador. Desde então, tem feito manifestações contrárias a Lula nas redes sociais. Itamaraty acusa interferência no processo eleitoral Em nota divulgada nesta terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que as declarações de Milei atingem o Brasil, o Poder Judiciário e o sistema eletrônico de votação. A chancelaria brasileira também acusou o presidente argentino de repetir alegações falsas relacionadas às eleições de 2022 e aos atos que culminaram na tentativa de golpe de Estado. O ministério classificou as manifestações como antidemocráticas e incompatíveis com a postura esperada de um chefe de Estado de um país vizinho. O Itamaraty defendeu a segurança das urnas eletrônicas brasileiras e afirmou que observadores eleitorais internacionais confirmaram a confiabilidade do sistema durante o primeiro turno. A nota ressaltou ainda que a escolha do próximo presidente cabe exclusivamente aos eleitores brasileiros. Relação entre Brasil e Argentina segue desgastada As declarações ocorrem em meio à crise diplomática entre os dois países, agravada por manifestações anteriores de Milei durante a campanha brasileira. O governo Lula reduziu o nível de representação diplomática em Buenos Aires, enquanto os contatos políticos entre os dois presidentes permanecem limitados. A disputa eleitoral brasileira também passou a integrar o debate político argentino. Milei tem usado suas redes sociais para criticar Lula e demonstrar apoio a Flávio, enquanto a campanha petista cita o governo argentino em suas críticas às propostas econômicas do adversário. O segundo turno presidencial no Brasil será realizado no domingo (25). O Itamaraty reiterou que a decisão sobre o futuro político do país cabe exclusivamente à população brasileira, sem interferência de governos estrangeiros.
Fonte: Clique aqui




