Ministro André Mendonça marca nova reunião com a PF sobre o Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, convocou a Polícia Federal para uma nova reunião nesta segunda-feira (23) no âmbito do inquérito que apura o chamado caso Banco Master. Relator da investigação, ele deve receber o primeiro relatório preliminar da corporação, discutir pedidos pendentes e analisar a necessidade de novas diligências. A apuração envolve o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e inclui a análise de cerca de 100 aparelhos eletrônicos apreendidos, além de dados obtidos por meio de quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático. Revisão de decisões e acesso a provas Ao assumir a relatoria, Mendonça passou a rever atos do antigo responsável pelo caso, o ministro Dias Toffoli. Em despacho recente, o magistrado autorizou que peritos da Polícia Federal tenham acesso integral ao conteúdo dos equipamentos apreendidos, sem restrições específicas de escolha prévia de profissionais. O ministro também permitiu que investigados sem foro privilegiado prestem depoimento sem necessidade de autorização prévia do relator, medida que pode acelerar a tramitação do inquérito. Além disso, determinou o envio de informações à CPI mista do INSS, incluindo dados extraídos do celular de Vorcaro. Diretrizes de independência e sigilo Fontes próximas ao gabinete afirmam que Mendonça tem defendido uma atuação independente da Polícia Federal, com discrição e respeito ao devido processo legal. Em despacho, o ministro reforçou que o acesso às informações do caso deve ficar restrito a autoridades e agentes diretamente envolvidos, destacando o dever de sigilo inclusive em relação a superiores hierárquicos e outras autoridades públicas. A postura sinaliza preocupação em blindar a investigação de eventuais interferências externas e garantir a condução técnica do processo. Contexto político e institucional Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mendonça assumiu o caso em meio a um momento de desgaste institucional da Corte. Paralelamente, o ministro anunciou que destinará lucros provenientes de atividades acadêmicas a obras sociais, movimento interpretado como tentativa de reforçar sua imagem pública em meio às discussões sobre transparência e integridade no Judiciário. Já Dias Toffoli, relator original do inquérito, foi citado em debates internos após revelações envolvendo participação societária em empreendimento que teria recebido recursos de fundo ligado ao Banco Master, além de divergências com investigadores sobre os rumos da apuração. Próximos passos da investigação A reunião marcada para esta segunda-feira deve definir o cronograma das próximas etapas do inquérito, incluindo análise técnica do material apreendido e avaliação de novas diligências. A expectativa é que o relatório inicial da Polícia Federal consolide as principais linhas investigativas e oriente as decisões futuras do relator. O caso Banco Master segue como um dos inquéritos de maior repercussão no STF, com reflexos políticos e institucionais relevantes no cenário nacional.
Fonte: Clique aqui

Deixe o primeiro comentário