Nós que deveríamos aumentar taxação dos EUA, diz Lula após novas sanções de Trump

O presidente Lula da Silva (PT) reagiu nesta terça-feira (2) à proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil e afirmou que, diante do histórico da balança comercial entre os dois países, seria o Brasil quem teria razões para aumentar a taxação sobre mercadorias norte-americanas. A declaração foi feita um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendar a adoção de novas tarifas contra exportações brasileiras, sob a alegação de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos. Ao comentar o tema, Lula contestou a narrativa adotada por Washington e ressaltou que os Estados Unidos acumulam superávit comercial na relação bilateral há vários anos. Segundo o presidente, dados econômicos demonstram que o saldo comercial favoreceu os norte-americanos em mais de US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos. Para Lula, esse cenário contradiz argumentos apresentados anteriormente pela Casa Branca sobre um suposto déficit comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil. “Quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, não eles”, afirmou o presidente ao relembrar discussões iniciadas durante o chamado “tarifaço” adotado pelo governo americano no primeiro semestre de 2025. A nova controvérsia comercial surge após a conclusão de uma investigação conduzida pelo USTR. O órgão apontou divergências em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, sistema de pagamentos eletrônicos, combate à corrupção e acesso ao mercado brasileiro por produtos norte-americanos. Apesar da recomendação de sobretaxa, o governo dos Estados Unidos divulgou uma lista de exceções que preserva setores estratégicos da pauta exportadora brasileira, incluindo café, carne bovina, aeronaves e componentes aeronáuticos. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que a decisão possui forte componente político, mas ainda deixa espaço para negociações diplomáticas. Integrantes do governo brasileiro defendem a continuidade do diálogo com Washington para evitar o agravamento das medidas comerciais. O Ministério das Relações Exteriores e equipes técnicas dos dois países mantêm conversas para tentar reduzir as divergências apontadas durante a investigação. O prazo para uma definição sobre eventuais medidas definitivas por parte dos Estados Unidos está previsto para as próximas semanas.
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