Prefeitura de Salvador lança projeto de piscina assistida para crianças com autismo e amplia ações de inclusão
No mês em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e da Coordenadoria de Salvamento Marítimo (Salvamar), lançou o projeto Mergulho na Inclusão, voltado para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O lançamento ocorreu na tarde desta quarta-feira (29), na sede da Salvamar, em Patamares. O projeto é realizado em parceria com a Universidade Salvador (Unifacs) e a Instituição Serviço Social Autônomo (SSA Inclusão), com o objetivo de oferecer banho de piscina assistido, promovendo a estimulação sensorial, motora e cognitiva, além de contribuir para o desenvolvimento de crianças neurodivergentes. Além do lazer, a atividade reforça a inclusão social e garante acesso a práticas recreativas em um ambiente adaptado, seguro e acolhedor. Na tarde desta quarta-feira, 29 crianças com TEA participaram da atividade acompanhadas dos pais. Nesta primeira etapa, o projeto contempla 260 participantes. As aulas ocorrerão duas vezes por semana, nos turnos matutino e vespertino. Para o secretário de Ordem Pública, Décio Martins, o sucesso do programa desde o lançamento demonstra que a inclusão se concretiza por meio de ações efetivas: “A água tem sido um instrumento de desenvolvimento, autonomia e bem-estar. É gratificante ver famílias sendo acolhidas e crianças desenvolvendo seu potencial. Nosso compromisso é ampliar projetos que promovam respeito, inclusão e oportunidades para todos, transformando vidas e garantindo acesso a espaços de cuidado e evolução”. O coordenador da Salvamar, Kailani Dantas, destacou que o órgão atua além do serviço nas praias, contribuindo também com a acessibilidade. “A cada dia buscamos tornar a cidade mais acessível e a Salvamar mais social. Já temos o Mar sem Barreiras e, agora, o Mergulho na Inclusão, que conseguimos viabilizar com a SSA Inclusão e a Semop. Não se trata de uma ação pontual, mas de um projeto contínuo voltado para crianças com autismo em nossa cidade”, afirmou. Dantas também ressaltou o avanço institucional da coordenadoria. “Coordeno a Salvamar há quatro anos e atuo como salva-vidas há 18. Nunca vimos a instituição tão engajada em projetos sociais. Mostramos à sociedade que a Salvamar vai além da atuação operacional e tem muito a oferecer à cidade e à população”, completou. Parcerias O projeto é uma iniciativa instituída por lei municipal, voltada ao fortalecimento de políticas públicas para pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas com deficiência. Entre suas diretrizes estão a promoção da acessibilidade, da inclusão e a ampliação de oportunidades para esse público. O Mergulho na Inclusão surge como uma ação integrada entre o poder público e instituições parceiras, oferecendo um ambiente preparado, com respeito às necessidades sensoriais e individuais das crianças. A proposta é utilizar a água não apenas como atividade recreativa, mas como instrumento de estímulo, bem-estar e socialização. A presidente do SSA Inclusão, Paula Pitanga, destacou a importância do projeto. “É extremamente gratificante ver essa iniciativa sair do papel e proporcionar esse momento para as crianças e suas famílias. Percebemos, no rosto de todos, a alegria de vivenciar essa experiência. A água contribui para que ganhem segurança, criem vínculos e socializem com outras crianças”, explicou. Segundo Paula, a procura superou as expectativas. “A demanda foi espontânea, com divulgação nas redes sociais e pelo boca a boca. Foi um sucesso. Tivemos que encerrar as inscrições antes do prazo e já estudamos abrir novas turmas para atender quem ficou de fora”, revelou. Ao todo, 65 voluntários da Unifacs participam das atividades, com revezamento a cada aula. Para a representante da instituição no projeto, Dejenane Fernandes, a participação tem um significado especial: “É emocionante estar aqui. O projeto envolve os núcleos de cidadania e família, além de proporcionar aos estudantes em formação uma visão ampliada do cuidado. Medicina e enfermagem não se limitam ao ambiente hospitalar, podemos contribuir diretamente para a qualidade de vida das pessoas. Trazer a universidade para fora dos muros acadêmicos é fundamental”. Acolhimento A dona de casa Aparecida Dantas, de 39 anos, participou da atividade com a filha Aila Vitória, de 6 anos, diagnosticada com autismo nível dois de suporte. “Fiquei sabendo por uma amiga que me marcou no Instagram. Fiz a inscrição sem muita expectativa, e fomos chamadas. É gratificante. Muitas vezes não temos tempo, e essa é uma atividade importante para ela. Ver minha filha sorrindo é emocionante”, contou. Morador de Pituaçu, o porteiro Herbert dos Santos, de 38 anos, acompanhou a esposa, Thais, de 33, e a filha Alice, de 8 anos, também diagnosticada com autismo nível dois de suporte. “Minha esposa viu o projeto no Instagram e nos inscrevemos imediatamente. A atividade é excelente, estimula o desenvolvimento e a interação com outras crianças. A inclusão é fundamental. Em muitos lugares, minha filha não se sente acolhida, mas aqui encontramos profissionais preparados. Estou muito feliz com essa iniciativa”, comemorou.
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