“Desacreditar o sistema de votação é desconvidar o eleitor a comparecer às urnas”
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (9) que desacreditar o sistema eletrônico de votação pode afetar a participação dos eleitores nas Eleições 2026. A declaração ocorreu durante a primeira edição da Corrida pela Democracia, realizada no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília. “Desacreditar o sistema de votação brasileiro é desconvidar o eleitor brasileiro a participar da maior festa democrática do Brasil”, afirmou o ministro. O evento reuniu cerca de 900 participantes e encerrou a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, promovida pelo TSE e pelos 27 Tribunais Regionais Eleitorais. Nunes Marques destacou que a Justiça Eleitoral tem ampliado as ações de transparência para explicar aos brasileiros o funcionamento das urnas eletrônicas, os mecanismos de fiscalização e os recursos utilizados para garantir a segurança do processo eleitoral. TSE amplia combate à desinformação O presidente da Corte afirmou que o enfrentamento à desinformação não se limita à análise individual de conteúdos, mas envolve medidas permanentes de segurança cibernética e comunicação com a sociedade. Ao longo de 2026, o TSE também firmou acordos com plataformas digitais para ampliar a cooperação contra conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados relacionados às eleições. Entre as empresas envolvidas estão Meta, X, Telegram, TikTok, Kwai, LinkedIn e Google Brasil. Os acordos preveem iniciativas para ampliar o acesso a informações oficiais, fortalecer a integridade informacional e conscientizar os usuários sobre os riscos da desinformação durante o período eleitoral. Inteligência artificial preocupa Justiça Eleitoral Outro ponto destacado por Nunes Marques foi o avanço do uso de inteligência artificial e de tecnologias capazes de produzir conteúdos falsos, incluindo os chamados deepfakes. Segundo o ministro, as plataformas digitais colocaram ferramentas à disposição da Justiça Eleitoral para reduzir a circulação desse tipo de material durante a campanha. O TSE já havia regulamentado o uso de inteligência artificial nas Eleições 2026, estabelecendo regras relacionadas à transparência, à liberdade de expressão político-eleitoral e à segurança jurídica. A preocupação aumenta diante da expectativa de que a eleição ocorra em um ambiente digital ainda mais intenso, com redes sociais ocupando papel central na comunicação entre candidatos e eleitores. Conselho terá especialistas de diferentes áreas O TSE também criou um Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional nas Eleições 2026. O órgão terá caráter multidisciplinar e deverá assessorar a Presidência da Corte na formulação de ações voltadas à proteção da legitimidade e da normalidade do processo eleitoral. A estrutura deverá reunir especialistas em tecnologia e inteligência artificial, segurança pública, comunicação, administração pública, orçamento, saúde pública, proteção do eleitor, direito eleitoral e constitucional, relações internacionais, academia e direitos fundamentais. A iniciativa se soma ao acordo firmado em junho entre o TSE e partidos políticos. Ao todo, 26 das 30 legendas registradas no país aderiram ao compromisso pela integridade das eleições, que inclui ações de combate à desinformação e uso responsável da inteligência artificial. Segurança das urnas volta ao centro do debate A declaração de Nunes Marques ocorre a menos de dois meses do primeiro turno das eleições, marcado pelo TSE para 4 de outubro de 2026. Para a Justiça Eleitoral, a confiança no sistema de votação é considerada um dos elementos centrais para a participação dos cidadãos. A Corte vem utilizando campanhas, eventos públicos e parcerias com plataformas digitais para divulgar informações sobre a segurança das urnas e reduzir a circulação de conteúdos falsos. Na avaliação apresentada pelo presidente do TSE, a estratégia busca garantir que o eleitor tenha acesso a informações confiáveis antes de decidir se vai às urnas. A Corrida pela Democracia, segundo o tribunal, encerrou uma semana de mobilização nacional destinada justamente a aproximar a população do sistema eletrônico de votação e reforçar valores como participação, cidadania, inclusão e democracia.
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