PT mantém silêncio sobre afastamento de Andrei Rodrigues
A decisão foi publicada na manhã desta terça-feira (8), mas, até o momento, a cúpula petista não apresentou uma manifestação oficial sobre a medida. A estratégia, segundo informações que circulam nos bastidores do governo, é aguardar uma definição do Palácio do Planalto antes de adotar uma posição política mais clara sobre o confronto no Supremo. O governo de Lula da Silva (PT) foi diretamente envolvido na crise após Mendonça determinar o afastamento de Andrei, nomeado pelo presidente para comandar a Polícia Federal. A decisão provocou uma série de articulações entre integrantes do Executivo e ministros do STF. Governo discute reação à decisão de Mendonça Horas após o afastamento, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, se reuniram com o presidente do STF, Edson Fachin, para discutir o agravamento da crise. O encontro ocorreu na sede do Supremo e durou cerca de 30 minutos. Segundo a CNN Brasil, a Advocacia-Geral da União avalia apresentar recurso contra a decisão de Mendonça, tendo como um dos principais argumentos a possível violação da competência constitucional da Presidência da República para nomear e exonerar integrantes do Executivo. A reunião também reforçou o papel de Fachin na tentativa de conter a escalada do conflito entre o Supremo, o governo e a cúpula da Polícia Federal. A avaliação no Palácio do Planalto é de que a decisão de Mendonça ampliou o alcance da crise institucional e colocou o Executivo em uma situação ainda mais delicada. PT evita confronto Enquanto o governo define os próximos passos, o PT adotou uma postura discreta nas redes sociais. Em vez de comentar diretamente o afastamento de Andrei Rodrigues ou a decisão de Mendonça, o partido publicou um vídeo de um militante caminhando pelas ruas com uma bandeira da legenda. A mensagem que acompanhou a publicação foi de mobilização eleitoral: “Começando a semana nesse ritmo. Nada pode nos abalar nem tirar nosso foco! Vamos pra cima ganhar essa eleição! É rua!”. A publicação indica que, ao menos neste primeiro momento, a direção petista prefere concentrar sua comunicação na campanha eleitoral, evitando transformar a disputa entre integrantes do STF em uma frente pública de confronto com o Judiciário. Crise aumenta pressão sobre o governo A decisão de Mendonça ocorre em um momento de forte tensão dentro do STF, depois da divulgação de informações relacionadas às investigações do Banco Master e de relatórios da Polícia Federal que passaram a integrar a disputa entre os ministros. Mendonça justificou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, com base em sua avaliação sobre a produção de relatórios de inteligência envolvendo sua atuação e a de outras autoridades. O ministro afirmou ter identificado indícios de monitoramento considerado ilegal. A Segunda Turma do STF formou maioria para manter a decisão de afastamento, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A medida permanece em vigor enquanto não houver nova decisão da Corte.
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