Saúde de senadores custa 10 vezes mais que a de deputados, aponta levantamento
O custo da assistência à saúde dos senadores ficou significativamente acima do registrado entre deputados federais em 2025. Segundo levantamento do Ranking dos Políticos, elaborado com base em dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação, o gasto médio anual por senador chegou a R$ 64 mil, enquanto o custo por deputado ficou em aproximadamente R$ 6,2 mil. Os números representam uma diferença de cerca de dez vezes entre as duas Casas do Congresso Nacional. Quando comparado ao gasto per capita informado para o Sistema Único de Saúde (SUS), de aproximadamente R$ 1.392 por ano, o custo médio por senador é cerca de 46 vezes maior. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (15). Senado gastou mais de R$ 40 milhões O levantamento aponta que o Senado desembolsou mais de R$ 40 milhões com indenizações, restituições e tratamentos de longo prazo relacionados ao programa de assistência à saúde de seus parlamentares. Do total, os próprios senadores contribuíram com aproximadamente R$ 5 milhões, o equivalente a menos de 13% dos custos. A maior parte da despesa, portanto, foi coberta com recursos públicos. Comparação da assistência à saúde Valor em 2025 Custo médio anual por senador R$ 64 mil Custo médio mensal por senador R$ 5,3 mil Custo médio anual por deputado R$ 6,2 mil Custo médio mensal por deputado R$ 520 Gasto anual per capita do SUS R$ 1.392 Gastos totais do Senado Mais de R$ 40 milhões Contribuição dos senadores Cerca de R$ 5 milhões Câmara teve cenário diferente Na Câmara dos Deputados, o resultado apresentado pelo levantamento é diferente. A Casa registrou cerca de R$ 8,2 milhões em despesas com o programa de saúde dos parlamentares, enquanto as contribuições dos deputados chegaram a aproximadamente R$ 8,3 milhões. Casa legislativa Despesa Contribuição dos parlamentares Senado Mais de R$ 40 milhões Cerca de R$ 5 milhões Câmara dos Deputados R$ 8,2 milhões R$ 8,3 milhões Segundo o Ranking dos Políticos, o programa da Câmara terminou o ano com arrecadação superior às despesas, enquanto no Senado a participação dos beneficiários ficou abaixo de 13% do custo total. Programa atende parlamentares e dependentes A assistência oferecida pelo Congresso inclui serviços médicos, hospitalares e odontológicos para parlamentares, ex-senadores e dependentes. Os beneficiários participam do financiamento por meio de contribuições e mecanismos de coparticipação, com regras diferentes entre as duas Casas. Para Luan Sperandio, diretor de operações do Ranking dos Políticos, os números indicam uma diferença relevante na forma de financiamento dos programas de saúde do Senado e da Câmara. A entidade defende mudanças nas regras, entre elas o aumento da participação financeira dos próprios beneficiários, a revisão dos critérios relacionados à idade de dependentes e alterações nas normas de reembolso. O levantamento coloca em evidência a diferença entre os custos das duas estruturas de assistência médica do Congresso e reacende a discussão sobre quanto dos gastos deve ser financiado diretamente pelos parlamentares e quanto deve permanecer sob responsabilidade dos cofres públicos.
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