Trump condiciona reconhecimento do resultado das eleições nos EUA à “honestidade”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aceitará o resultado das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, desde que considere o processo eleitoral honesto. A declaração foi feita na terça-feira (27), quando questionado por jornalistas se respeitaria o resultado independentemente de qual partido saísse vencedor. “Vou aceitar, se forem eleições honestas, sim”, respondeu Trump. A ressalva reacendeu preocupações sobre a possibilidade de contestação dos resultados, especialmente diante do histórico do presidente de questionar eleições em que seu grupo político é derrotado. A declaração segue o padrão adotado por Trump em disputas anteriores. Em 2020, depois de perder a eleição presidencial para Joe Biden, ele alegou fraude generalizada sem apresentar provas que sustentassem as acusações. As contestações foram rejeitadas por tribunais, e autoridades eleitorais e integrantes do próprio governo republicano não encontraram evidências de irregularidades capazes de alterar o resultado. Governo enfrenta questionamentos na Justiça Às vésperas da votação de 2026, o Departamento de Justiça voltou a atuar em disputas relacionadas à organização e à fiscalização eleitoral. No Alasca, o governo tentou impedir a certificação de uma eventual vitória da democrata Mary Peltola sobre o senador republicano Dan Sullivan, alegando possível confusão provocada pela candidatura de outro concorrente com nome semelhante. Neste domingo (1º), porém, a Associated Press informou que uma juíza federal rejeitou a ação do Departamento de Justiça. A magistrada considerou inviável a investigação solicitada pelo governo, entre outros motivos, porque as cédulas antecipadas já haviam sido misturadas e não poderiam ser rastreadas sem comprometer o sigilo do voto. Na Califórnia, o governo Trump também tentou obrigar autoridades eleitorais a separar cerca de 20 mil cédulas enviadas pelo correio, pertencentes a pessoas que a administração federal classificou como possíveis não cidadãs. A Justiça rejeitou o pedido de medida emergencial, e a Corte de Apelações do Nono Circuito também não concedeu a intervenção solicitada pelo Departamento de Justiça. Episódio de 2020 aumenta preocupação As declarações atuais são acompanhadas com atenção por causa dos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump invadiram o Capitólio, em Washington, após meses de questionamentos do então presidente sobre sua derrota eleitoral. A análise publicada pela CNN destaca que a possibilidade de os democratas conquistarem espaço no Congresso aumenta a tensão em torno da votação. Caso os resultados sejam apertados, disputas judiciais e questionamentos sobre a apuração poderão prolongar a definição de algumas cadeiras, especialmente no Senado. Trump afirmou que poderá trabalhar com os democratas caso o partido conquiste a maioria em uma ou nas duas Casas do Congresso. Apesar disso, voltou a deixar dúvidas sobre o reconhecimento de uma eventual derrota republicana, ao condicionar a aceitação do resultado à sua avaliação sobre a honestidade da votação.
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