XP vê combinação entre queda da Selic e juros menores nos EUA como motor dos ativos brasileiros em 2026

A convergência entre a queda dos juros nos Estados Unidos e o início do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil pode criar um dos cenários mais favoráveis para os ativos nacionais nos últimos anos. A avaliação é da XP, que aposta em 2026 como o ano em que os fatores domésticos voltarão a ditar o ritmo do mercado, após um ciclo global excepcional em 2025. Segundo o estrategista-chefe e head de research da XP, Fernando Ferreira, a dinâmica local ganhará protagonismo, especialmente em torno de dois vetores decisivos: juros e eleições. Para ele, a redução simultânea das taxas nos dois países será “uma combinação muito poderosa”, capaz de destravar valor e reposicionar o Brasil entre os emergentes mais promissores. Corte da Selic pode começar  A XP projeta que o Banco Central deve iniciar a queda da Selic em março, encerrando 2026 com a taxa por volta de 12%, bem abaixo dos atuais 15% ao ano. Além disso, diante do enfraquecimento da atividade econômica e da desaceleração da inflação, Ferreira acredita que é mais provável o BC antecipar esse movimento para janeiro do que adiar para abril. A visão da casa contrasta com o tom mais duro adotado pelo BC nas últimas semanas. Para o estrategista, porém, trata-se de uma estratégia de comunicação para manter as expectativas sob controle. Ele cita que inflação mais comportada, atividade desaquecida e commodities mais baratas em reais apontam para um ambiente favorável à flexibilização monetária. “Não acreditamos que o BC vá esperar o IPCA convergir exatamente para 3% para cortar. O mais relevante para a bolsa é o tamanho do ciclo de cortes, não a data do primeiro movimento”, destacou. Mercado deve entrar em modo eleitoral no primeiro semestre A partir de março ou abril, Ferreira avalia que o mercado passará para o chamado “trade eleitoral”, quando os nomes à disputa presidencial estiverem consolidados. Ele afirma que o tema fiscal será dominante — com a dívida bruta próxima de 80% do PIB e trajetória ascendente — e que investidores estarão atentos a compromissos de reformas e consolidação das contas públicas. A recente disparada de volatilidade, com o Ibovespa despencando mais de 4% após o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi vista pela XP como uma amostra do que está por vir. Cenário externo continua favorável aos emergentes O ambiente internacional deve seguir dando sustentação aos mercados emergentes e, por consequência, ao Brasil. A XP projeta nos EUA uma política fiscal expansionista em 2026 e continuidade da queda dos juros, o que tende a manter o dólar fraco — sempre um alívio para países emergentes. Ferreira também destacou as expectativas sobre a escolha do novo presidente do Federal Reserve, com o nome de Kevin Hassett ganhando força. De perfil mais “dovish”, ele poderia conduzir um Fed mais tolerante à inflação, reforçando o ciclo de cortes nos Estados Unidos. Para o estrategista, esse ambiente global não deve ser passageiro: “Não acredito que esse movimento de emergentes tenha sido apenas de 2025. Ele pode até acelerar no ano que vem com essa combinação fiscal e monetária mais expansionista nos EUA.” Renda fixa ainda domina, mas rotação para risco deve começar A XP vê 2026 como o início de um movimento estrutural de migração para ativos de risco, embora mais intenso apenas quando a Selic cair para um dígito. O efeito psicológico de uma remuneração mensal próxima de 1% na renda fixa ainda pesa. Atualmente, mesmo em carteiras agressivas, a renda fixa segue ocupando 50% da alocação. Porém, a XP tem ampliado exposição a renda variável brasileira, fundos imobiliários e multimercados, reforçando ao investidor que a diversificação precisa ocorrer antes da queda dos juros — não depois. “Os ativos antecipam. Com juros de 15%, a pressa é menor, mas estamos orientando para que o investidor não espere o CDI cair para buscar risco”, ressaltou Ferreira. A casa também revisou para cima sua projeção de valor justo do Ibovespa, estimando o ín
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