Lula negocia ministérios em troca de fidelidade nas votações no Congresso
O presidente Lula da Silva (PT) pretende condicionar a distribuição de ministérios e cargos de primeiro escalão ao compromisso dos partidos com as pautas do governo no Congresso Nacional. A estratégia para o quarto mandato é ampliar a base de apoio e evitar que legendas com espaço na Esplanada deixem de acompanhar o Executivo em votações importantes. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Lula deverá iniciar as conversas com partidos de centro na próxima semana, após o feriado. A meta dos aliados é concluir a composição do novo ministério até 20 de dezembro. O presidente do PT, Edinho Silva, foi escolhido para conduzir as primeiras negociações. Diferentemente do modelo adotado no atual governo, a divisão dos ministérios não deverá considerar apenas o tamanho das bancadas. O Planalto pretende avaliar quantos votos cada legenda poderá garantir em projetos de interesse do Executivo. A indicação de nomes para cargos federais também deverá ficar restrita a parlamentares considerados fiéis ao governo. O MDB, por exemplo, sinaliza que poderá assegurar cerca de 30 votos ao presidente. Entre os nomes mencionados para ocupar uma pasta está o ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB-PA). Aliados derrotados também buscam espaço Além das negociações com o Centrão, Lula terá de acomodar aliados que participaram da campanha presidencial, mas não conseguiram se eleger. Entre eles estão Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad e Paulo Pimenta. Gleisi (PT-PR) concorreu ao Senado a pedido do presidente, mesmo diante da avaliação de que enfrentaria dificuldades eleitorais no estado. Agora, é cotada para o Ministério do Desenvolvimento Social, uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) ou a direção-geral da Itaipu Binacional. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) também deverá ganhar espaço no próximo governo. Entre os destinos cogitados estão os ministérios da Defesa e da Fazenda. Aliados afirmam que Lula pretende ampliar sua participação em articulações políticas, encontros com empresários e viagens nacionais e internacionais em representação à Presidência. Fazenda e Casa Civil concentram disputa O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI), aparece entre os nomes cotados para o Ministério da Fazenda. Um eventual convite exigiria que deixasse o governo estadual, possibilidade que, segundo relatos publicados pela imprensa, já teria sido discutida com aliados. Para a Casa Civil, o nome que ganhou força é o do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e um dos principais articuladores da campanha presidencial no segundo turno. Sua influência política cresceu após o resultado eleitoral no Ceará. Fernando Haddad (PT), derrotado na disputa pelo governo paulista, também permanece entre os cotados para uma posição de destaque. Além da Casa Civil, seu nome é mencionado para os ministérios das Relações Exteriores e da Educação. Fonteles, Camilo e Haddad são apontados ainda como possíveis nomes para representar o PT na sucessão presidencial ao fim do próximo mandato. Aliados avaliam que Lula poderá colocá-los em posições de destaque na administração federal, permitindo que construam projeção política nacional. A formação da nova equipe, entretanto, ainda está em fase de articulação. Lula também avalia mudanças na estrutura do Palácio do Planalto, incluindo a criação de uma área diretamente ligada à Presidência para cuidar de sua comunicação pessoal nas redes sociais, separada da estrutura da Secretaria de Comunicação Social.
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