Adesões a ACM Neto expõem dificuldades para Jerônimo no interior da Bahia
A sucessão estadual na Bahia ganhou um novo capítulo com uma sequência de adesões de lideranças do interior à candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo. Os movimentos mais recentes atingiram diretamente a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e aumentaram a preocupação entre aliados do Palácio de Ondina com a capacidade de manutenção das alianças municipais. Um dos casos de maior repercussão ocorreu em Aurelino Leal, no Sul da Bahia. O prefeito Rodrigo Andrade (PP) rompeu politicamente com o governador e declarou apoio a ACM Neto. O anúncio foi feito na quarta-feira (26), durante uma reunião em Ilhéus. Segundo o prefeito, as tratativas com a administração estadual não avançaram como esperado, o que teria pesado na decisão de mudar de grupo. A mudança tem relevância eleitoral porque Andrade foi reeleito prefeito de Aurelino Leal em 2024 com 80,35% dos votos válidos, alcançando 6.233 votos, segundo os resultados oficiais da eleição municipal. O candidato que ficou em segundo lugar obteve 19,65%. Ex-prefeitos de Mansidão também mudam de lado Outro movimento que chamou atenção ocorreu em Mansidão, na Bacia do Rio Grande. Os ex-prefeitos Ney Borges e Djalma Ramos declararam apoio à candidatura oposicionista após terem participado da campanha de Jerônimo nas eleições de 2022. Borges administrou o município em três mandatos, entre 2005 e 2008 e novamente entre 2013 e 2020. Ramos esteve à frente da prefeitura entre 2021 e 2024. Os dois se reuniram com ACM Neto na quarta-feira (26) para formalizar a adesão. A movimentação também contou com a presença de outras lideranças locais e parlamentares, sinalizando que a mudança não se limita aos dois ex-prefeitos e pode representar uma reorganização política no município. Máquina estadual não impede novas adesões Nos bastidores, a avaliação anterior entre pessoas ligadas ao grupo de Jerônimo, era de que o peso da estrutura do governo estadual, ou seja, com a ‘máquina nas mãos’, seria suficiente para reduzir o risco de perda de prefeitos e lideranças municipais durante a campanha, mas não é o que vem ocorrendo. Todas as estratégias do PT não tem impedido novas aproximações com a oposição, liderada por ACM Neto.. A saída de Rodrigo Andrade é especialmente simbólica porque o prefeito havia declarado apoio à permanência de Jerônimo no comando do Estado. Agora, sua adesão amplia o grupo de prefeitos, lideranças e gestores municipais, que passam a atuar em favor de ACM Neto. Ou seja, é uma ‘onda’, fazendo a população baiana ficar motivada com o azul, pois o vermelho, mesmo com Lula, não faz mas isso. Aurelino Leal como exemplo Os números da eleição de 2024 ajudam a dimensionar o peso político de Rodrigo Andrade em sua cidade. A vitória com mais de 80% dos votos válidos demonstra uma base eleitoral expressiva, que pode ser mobilizada na eleição estadual. Os dados eleitorais de Aurelino Leal são provenientes da apuração oficial de 2024, disponibilizada com base nos resultados do Tribunal Superior Eleitoral. O episódio também evidencia que as alianças no interior da Bahia continuam sendo disputadas município por município. Segundo um gestor municipal do PSD, que pediu para não ser identificado por receio de possíveis retaliações administrativas contra sua cidade, parte das lideranças estaria insatisfeita com a forma como foi tratada pelo governo estadual. “Fomos maltratados durante esse período e, agora, a poucos meses da eleição, estão tentando nos comprar com promessas e aproximações. Mas pode ter certeza de que a maioria não vai se vender. Vamos buscar votos para ACM Neto. Chega do PT”, afirmou. De acordo com o gestor, o temor de retaliações é justamente um dos motivos que levam outras lideranças a evitar declarações públicas neste momento. “Não quero que a população da minha cidade sofra as consequências caso eu me exponha. Todo mundo sabe que o PT pode ser vingativo quando está no poder e, infelizmente, hoje comanda o governo da Bahia. Mas isso vai acabar agora”, declarou.
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